Black Bombaim no Passos Manuel

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Os Black Bombaim andaram aí a anunciar, sem grande pompa, dois concertos únicos de apresentação do novo álbum, Titans. E nós, inocentes, armamo-nos em super heróis e dispusemo-nos a fazer reportagem sobre tal acontecimento.

Fomos ao Passos Manuel, no Porto, mais algumas dezenas de pessoas e deixamo-nos embrenhar tanto no rock deste trio de Barcelos que, quando nos lembrámos de que era preciso descrever aquilo, nos apeteceu quase chorar.

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Há coisas que não se descrevem, é preciso estar lá. Mas é mesmo. Ouvir Titans no computador em casa não é nem metade do que é ao vivo. Um “rock pedrado” é o máximo que a tradução consegue fazer pelo som dos Black Bombaim, de quem já se anda a dizer serem uma das melhores bandas de rock nacionais, com este álbum a não se intimidar com um título do mesmo nível.

Ghuna X, na lista dos convidados – e que convidados – do grupo para este trabalho, abre as hostilidades nos teclados e assim começa a onda que se diz psicadélica. Se é preciso rótulo, assim seja. O baixo e a guitarra anunciaram a entrada dos deuses guerreiros e, mais à frente, é a bateria que vem dar o toque para a cavalaria entrar em força.

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A partir daí já nada foi o mesmo. Havia cadeiras, é certo, mas alguns não fizeram caso e foi de pé que se fizeram à guerra. Black Bombaim é rock, é, mas não é para meninos. Isto não vai lá de água das pedras e não é fraqueza nenhuma chamar reforços. Desta vez, é Tiago Pereira, guitarrista dos Aspen, que vem meter achas na fogueira que era o deleite do público no Passos Manuel.

Se achávamos que isto já ia no topo de riffs possíveis, no limite da adrenalina, os Black Bombaim provaram-nos que dos fracos não reza a história, nem sequer a história da música, e apresentaram-nos o porquê de termos ido assistir a esta apresentação (um atraso na fábrica impede-nos de lhe chamar lançamento efetivamente).

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Jorge Coelho – mais um – dá o mote para aquilo que foi cerca de trinta minutos (trinta!) de um ataque glorioso capaz de deixar os deuses loucos. Entre a pujança e a marcha atrás para novas investidas até ao cume, entrámos todos em transe e já estávamos a fazer o filme: ataque forte, fuzilamento, estratégia repensada, acumular de forças e agarrem-se ao psicadélico sem medo que é ele que vai encabeçar o derradeiro golpe.

Se calhar fomos apenas nós que imaginámos tudo isto, acreditamos que muitos nem tenham tido hipótese de elaborar pensamentos coerentes. Não os sentimos descer de nível, mas, de repente, já estamos num ponto de ritmo que extrapola tudo. Bloqueámos, pronto.

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O som dos Black Bombaim fez tremer as cadeiras de quem não se conseguia levantar e achamos que o alerta de terramoto do Passos Manuel não funcionou. Nem o nosso cérebro durante uns largos minutos, não tivemos resposta para semelhante ataque musical.

Posto isto, assim que o vinyl (sim, só em vinyl!) estiver disponível ouçam-no. Mas depois procurem algures os Black Bombaim ao vivo e tentem explicar-nos a nós o que viveram. Até lá, não duvidem quando ouvirem dizer que o trio de Barcelos faz da música uma coisa ímpar e um momento daqueles de perguntar “Oh, já acabou?”. Acreditem nos deuses uma vez na vida.

Texto: Cláudia Brandão
Fotografia: Miguel Oliveira

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