Reportagem: Wraygunn no Hard Club

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Ontem, os Wraygunn subiram ao palco da Sala 1 do Hard Club para apresentarem o recentemente editado “L’Art Brut” ao público portuense. Quem os viu em tour com Eclisiastes ou Shangri-La sentiu bem a diferença, culpa precisamente do novo álbum, que marca uma interessante viragem no grupo, sem perder identidade.

Paulo Furtado tinha dito que os quatro concertos de apresentação seguiriam o alinhamento do álbum. Dito e feito. “A rádio comercial apresenta… Wraygunn!”, e iniciou-se a atuação com “Tales of Love”: um monólogo de Furtado, um coro a sete, as vozes impressionantes de Raquel Ralha e Selma Uamusse. Seguiu-se o single “Don’t You Wanna Dance”, que tem sido cartão-de-visita para conhecer este belíssimo “L’Art Brut” por todo o país. “Kerosene Honey”, um dos melhores temas do álbum, foi antecedido de um apaixonado “Chuta caralho!” da plateia, a banda sentiu o calor do Porto e chutou mesmo, que grande música. Sentimo-nos como se a Selma nos tivesse deixado KO.

Por entre agradecimentos, assistimos a “Strolling Arround My Hometown”, “That Cigarette Keeps Burning”, “I Bet It All On You”. Tudo bem tocado, contido como nunca, perfeitamente envolvido no ambiente do álbum.  “My Secret Love” é a faixa mais Tigerman de L’Art brut”, que deixa novamente brilhar Selma, possivelmente a grávida mais fascinante a ter pisado um palco na história da música.

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Tal como acontece no álbum, “I Fear What’s In Here” e “Track You Down” foram apresentadas com grande cumplicidade, sem pausas. “Track You Down”, também composta por Raquel Ralha, podia bem receber a distinção de melhor música do álbum. A ternura dos 40 atingiu os Wraygunn de forma invejável.

O concerto terminou com “I Wanna Go [Where The Grass Is Green]”, “I’m For Real” e “Cheree Cheree”, este último original dos Suicide, homenageados com a bónus track, no álbum.  “I’m For Real” potenciou uma troca de galhardetes entre Furtado e Vidal, uma pequena batalha de guitarras, que antecipou o que se passaria de seguida.

O concerto tinha, de facto, terminado para “L’Art Brut”, mas o público queria mais. Não foi preciso esperar muito para M. Luther King reposicionar os Wraygunn no palco, com um pedido claro: “Let Freedom Ring”. A banda despiu a arte bruta e partiu para um encore estonteante, onde Eclesiastes foi dono e senhor. Primeiro com “Soul City”, depois “Drunk or Stoned”(aqui, com direito a um sing along expressivo), e uma versão final de “All Night Long”, que ficará certamente na memória de quem lá esteve.

Paulo Furtado trocou o palco pelo bar, o micro pelos candeeiros que foi encontrando, enquanto nós, a banda também, gritávamos servilmente “LOVE THAT WOMAM”. Tinha chegado ao fim. Depois desta noite, sobre Wraygunn, só nos apetece dizer: Love that band. Eles merecem.

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Fotografia: Nuno Fangueiro
Texto: Rafael Côrte-Real 

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