Reportagem: Supernada no Hard Club

mg 8755 Reportagem: Supernada no Hard Club

Manel Cruz tem destas coisas: é possível adorar Ornatos Violeta e não suportar Supernada (quem tiver mau gosto, claro). Os projetos liderados pelo carismático artista portuense não se repetem no tempo, assumem formas diferentes a cada iniciativa, arrastam os fãs de sempre e geram novos, um cruzamento de gerações que foi bem visível ontem, no Hard Club – sala escolhida para apresentação do aguardado primeiro álbum de estúdio, “Nada é Possível”.
Este é provavelmente o grupo que melhor sabe o que fazer aos instrumentos. Nota-se no disco, mas sobretudo ao vivo. Há imenso espaço nos temas de Supernada para Miguel Ramos (baixo), Ruca (guitarra), Eurico Amorim (teclas) e Francisco Fonseca (bateria) mostrarem o que valem. E valem muito. A atuação a que assistimos mostrou-nos uma banda que atingiu a maturidade plena no primeiro álbum, após dez anos de existência mitigada, na sombra de Pluto ou Foge Foge Bandido, e com apenas um registo live que os permitisse ouvir.
mg 8861 Reportagem: Supernada no Hard Club
Foi com “Ovo de Silêncio” que se abriu o concerto, logo seguido de “Animais à Solta”, um dos temas mais agitados do álbum. Em “Sonho de Pedra” já a plateia se movia involuntariamente, conquistada pelos riffs de guitarra explosivos, secção rítmica assertiva e um front man que passeava mística pelo palco. Destaque natural para “Perigo de Explosão”, a antiga “Anedota”, que despertou a plateia depois de um passar pelas brasas em “Nada de Deus” ou “Invisível Mundo”, onde a energia é mais controlada. Em “Arte Quis Ser Vida” percebe-se porque tem sido proclamada a melhor música do álbum, fez-nos lembrar muitas coisas boas que se fizeram desde 2000 com distorção, além da letra muito conseguida que lhe está associada (diga-se, de resto, que este trabalho é mais um hino à língua portuguesa, como o autor nos tem habituado). Classe pode definir “Meu Livro”, irrepreensivelmente executado ao vivo, e que assinala uma excelente composição contracorrente no contexto deste “Nada é Possível”. “Pai Natal” foi outro dos temas que resistiu à revolução dos Supernada, aqui tocado e cantado por todos.
Depois de “Letras Loucas”, coube a Manel Cruz a falsa despedida, admitida com graça pelo músico: “Até breve… quer dizer, até já, isto é tudo uma tanga”. Impossível ficar indiferente à espontaneidade, que voltou à carga no regresso: “Não imaginava que poderia voltar ao palco…”. Ainda bem que voltaram. E logo para uma curta mas fantástica performance de Espuma, que se prolongou numa jam final, momento de rendição do público e da banda, que voltou em grande ao ativo. Podemos dizer que quase desesperamos com a espera, mas que sempre alcançamos… um grande álbum, sobretudo a continuação de um grande projeto.
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Texto: Rafael Côrte-Real
Fotografia: Miguel Oliveira
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