Reportagem O Bisonte, Blind Charge, Homem Mau e O Abominável

Basement joga os ases e são todos trunfo

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“Se isto não é rock, não sei o que será”. Quem não esteve na noite de despedida do Basement só precisava desta frase para perceber o que perdeu. Eles chamam-lhe um momento épico e nós achamos que qualquer adjectivo há-de ser sempre insuficiente.

Um ano, muito rock e amizades depois, o Basement, no Porto, fechou as portas mas nem por isso deixou de fazer a festa. A noite prometia rock do puro e sem mediatismo, mas o que as dezenas de pessoas levaram para casa foi uma emoção indescritível, pele de galinha, muitas nódoas negras e a certeza de que o sonho da Rute e do há-de continuar.

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Dizer que a festa começou calma ao som d’O Abominável pode soar estranho. O que é facto é que a intensidade foi um crescendo à medida que as bandas – tudo prata da casa – foram passando pelo palco. Ao som de “Ardor meu amor” ou “Jugular”, mais uma versão bem conseguida de “Canção do Engate”, que faria Variações juntar-se à festa, O Abominável veio ao Basement provar como cada gota de suor deixada nesta casa valeu a pena. Coincidência ou não, cantou o monstro, e bem: “Nada passa sem ficar”.

 

O ás de espadas toca baixo

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Homem Mau trouxe um rock mais maduro. Senhores de uma força gutural, vinda das entranhas, quase fizeram rebentar as paredes da cave. Começou o mosh, o crowd surfing e ficou de lado qualquer tipo de auto controlo e nem os músicos se fizeram esquisitos. Aqui somos todos iguais.

 

Ao ritmo frenético de “Vícios Acabados” ou “Espelho”, tudo foi grande no regresso dos Homem Mau ao Basement. E como já gastámos a palavra “grande”, para o que se passou com o tema “Frio” atrevemo-nos a um singular: brutal. É que esta canção não nos falha na ponta da língua e também quisemos fazer história. Vozes ao alto, não fica ninguém para trás.

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A fechar a actuação, Pedro Alves foi trunfo na manga ao interpretar “The Ace os Spades”, dos Motorhead. Os decibéis transpuseram as barreiras e não é só de instrumentos musicais que falamos, mas de saltos e vozes nos picos do impossível à imaginação.

 

Ninguém anda nisto sozinho

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E agora abram alas que eles estão com pressa para subir ao palco. À terceira é o momento dos Blind Charge. E que momento! Estes rapazes têm muito rock nas costas e, lá porque estamos entre amigos, Pedro Ferraz não vem para aqui brincar aos concertos.

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Vai daí, ‘bora chamar Vitor Pinto, Davide Lobão e Cláudio Alves, as vozes desta festa, para mostrar que a música se faz do apoio das outras bandas, que ninguém anda nisto sozinho. A qualidade faz-se de “Recapture”, “March” ou “Mr. Ocean”. Já dissemos que andava tudo no mosh?

 

Lamia”, o single estreado na cave do Basement, voltou a casa e com dedicatória óbvia. Quem sabe, sabe e os Blind Charge são do que de melhor o Porto deu ao rock. O testemunho foi entregue com o poderoso “Walking Cliche”. Fasquia em altos níveis a esta hora.

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Para o final da festa, a loucura que continuamos a não saber explicar. O Bisonte, mais uma e todas as vezes que já assistimos, desperta a insanidade em cada um. Aqui não se pensa, não se mede as atitudes. Nem vale a pena.

 

Para celebrar o rock e tudo o que o Basement lhe deu, O Bisonte não se ficou pelas suas malhas, como “Acácia”, “Imóvel” – esse momento sempre único – , “Músculo” ou “Bandidagem” e trouxe também “All my life”, dos Foo Fighters. “Laia”, essa, é o que se sabe e o que se anseia sempre e não falha. Não falham eles nem nós.

 

“Isto não vai acabar”

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“Da próxima vez que abrir uma casa destas no Porto, vocês apareçam. Apareçam sempre. Sempre”. Mensagem recebida, Davide. Estamos todos mais do que à espera.

O momento da noite fez-se ao som de “Rockin in the free world”, clássico de Neil Young. O Abominável, os Homem Mau e os Blind Charge subiram ao palco (e quantos mais mesmo?) e eternizaram aquele momento na memória de toda a gente. O rock que se viveu no Basement é feito de gente genuína, de bandas sem artifícios, de sentimentos sem rédeas, onde quando o público sobe ao palco são os músicos que dele descem para curtir. E isto não tem preço.

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Com o fecho desta casa, a sensação que fica é de que estão a tentar tirar o rock a estas pessoas. Pois, missão falhada. “Enquanto nos lembrarmos do que aconteceu aqui, isto não vai acabar”, dizem. E são as gargantas, as pernas, as batidas cardíacas e as emoções à flor da pele de cada um que o confirmam. Porque isto só faz sentido se for partilhado. E há-de continuar a sê-lo.

Texto: Cláudia Brandão
Fotografia: Miguel Oliveira

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