Noite de Murmürios no Passos Manuel

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“Uma rapariga extremamente bonita” e “um rapaz com um cabelo perfeito” juntaram-se a um outro rapaz com cãibras numa perna para “tocar umas canções, se não se importarem”. No Passos Manuel, eles não nos viam, mas a música encaixou muito bem no nosso silêncio.

“Before there was a before” abriu o concerto dos Birds Are Indie, no passado sábado, no Porto. O grupo de Coimbra veio apresentar o seu LP “How music fits our silence” e levou de embalada os poucos que souberam onde ia haver boa música nessa noite.

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Diz a Joana que não percebia de música antes desta aventura, mas nós achamos que ela não se dá nada mal com a parafernália de instrumentos que, entretanto, decidiu experimentar: um acordeão, uma harmónica, um órgão e até uma cadeira com ares de tambor. Soam bem, tão bem, os Birds Are Indie nos nossos ouvidos. E nem os pés a bater o desmentem.

“Qualquer tecla preta que ela toque fica bem, o que dá a sensação de que sabemos o que andamos aqui a fazer. Não é verdade, o que é maravilhoso”, afirma Jerónimo. Segue-se “Kitchen Morning” e os estiramentos na perna para uma experiência com “Sex Beat”, dos Gun Club, com dedicatória à Margarida.

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Nem a gata Rebeca ficou sem canção – “Black Sun” – e “So Far” vai, mais uma vez, para a Margarida e para “o prazer de tocar no Porto”. A primeira música que o Jerónimo e a Joana escreveram foi “We’re not coming down” e serviu de pílula para a felicidade. “Escrevemos porque estávamos um bocadinho tristes e ficamos um bocadinho menos tristes. Experimentem! A desculpa de não saberem tocar não vale”. E lá desceram eles do palco, sem instrumentos ligados à corrente, sem microfone, tão perto do público, tão caseiros.

“I will say it in your face” é o cartão de visita dos Birds Are Indie no álbum dos Novos Talentos Fnac, o que é chato, porque Jerónimo admite que se engana sempre na letra “mas agora temos que a cantar sempre”. Uma música sobre “a lei da física que diz que dois corpos não podem estar ao mesmo tempo no mesmo espaço e um dos corpos não entendem, mas é preciso dizer-lhe”. Mais complexa a explicação que a receção da nossa parte.

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A fechar uma noite de “bué de cenas a acontecer”, os Birds Are Indie nem fizeram grande menção de sair do palco para simular um encore e foi com a versão de “Heaven knows I’m miserable now”, dos The Smiths, que cederam o espaço a Stereoboy.

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Terminou no Passos Manuel o “aMor na tua sala” que Luís Salgado, João Santos e Íris Rebelo andaram a espalhar, em promoção de “M“, o EP que “está esgotado por isso já não o vão poder comprar”.

Vindos “de uma rua já ali” trouxeram as canções de “M”, mas também de “Bubbles” cujas canções dão 20 – 0 aos títulos por que respondem. “M – 1″ comanda o pelotão de um concerto onde a eletrónica característica de Luís Salgado é polvilhada com o açúcar da voz de Íris. Doses extra para equilibrar o som de João Santos. Nem sabemos se estamos confortáveis, se com os sentidos em pleno exercício.

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“M-4″ faz os Birds Are Indie voltar ao palco: é deles a letra que “casa” Michael Stipe e Kim Deal. “Encarem isto como uma música experimental”, sugere Luís Salgado. As músicas sucedem-se em ritmo de viagem ao espaço e os nomes não são para aqui chamados. No registo fica esta “estranha experiência de estar com muitas pessoas” e o medo do protagonista de “adormecer nas minhas próprias músicas”.

Estamos cá nós para nos manter acordados, mesmo quando a vertente infantil da música que se segue não nos abandone. Há tanto em Stereoboy que só uma mistura bem conseguida foi capaz de harmonizar.

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O alinhamento fechava com “Bubble 1″ que isto da cronologia é cena que não nos assiste. “Mais uma bem bonita”. É? Não sabemos dizer. A hipnose há muito tomou conta de nós, achamos que os três foram saindo do palco enquanto o som ganhou todo o espaço do palco. Mas nem isso garantimos. Já fomos.

Esperem, afinal, estão a voltar ao palco. Parece que foram as nossas palmas sincronizadas que pediram. O público pede nomes à sorte, estes nomes sem propriedade. “Nós somos uns fáceis”, garante Luís Salgado.

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E o aMor na sala do Passos Manuel termina com um tema “que preenche o nosso imaginário de adolescência…menos o da Íris”. E porque é que se fala em imaginário e nos ecoa na cabeça o som de um xilofone? É certinho. Xilofone, voz doce e “Beetlebum”, dos Blur, para irmos para a caminha. Informação a mais? Agora já está.

Texto: Cláudia Brandão
Fotografia: Miguel Oliveira

Agradecimentos : Murmürio Booking

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