Ermo e Simone White com um instinto acertado!

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Isto não é uma Review do passado concerto da Simone White com os Ermo, é mais uma espécie de entrada de um diário tão bem guardado com o coração e uns quantos utensílios numa gaveta velha, mas que queremos que seja assim mesmo.

 

Dirigi-me ao Maus Hábitos com o David, o Fausto e o Miguel no passado dia 5 de Fevereiro para ver aquilo que já seria de esperar, dois bons concertos. Desilusão é coisa que nem nos passa na cabeça quando há noites assim, espontâneas, combinadas até ao ultimo minuto, o que seja. Dirigimo-nos primeiro para nos abastecermos porque a noite estava fria e porque talvez a noite nunca seja a mesma sem primeiro nos abastecermos ligeiramente. Falo de alguma cerveja claro. Entretanto lá chegamos, subimos a escadaria e já ouvíamos os Ermo sem Ermo, ironicamente, companhia era o que não faltava felizmente e o espaço estava bem preenchido por várias cores e nacionalidades… Quem diria. Acho que confiamos demasiado nas nossas rotinas nortenhas e esperamos que o concerto se atrasasse um bocado, mas, não foi isso que aconteceu, aparentemente tinha começado a horas. Touché.

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Não nos impediu de entrar e ouvir pelo menos quatro músicas de Ermo. Eu próprio já partilhei o palco com estes dois rapazes fora de série, e devo dizer que fiquei ainda mais espantado ao ouvir apenas estas quatro músicas, o António e o Bernardo passaram de ter uma ideia boa, a ter uma identidade deles, enraizada de tal forma que acredito que nunca sai mais e que ninguém o faça parecido sequer. Eu não vos vou dizer o nome das canções, não me lembro, mas posso-vos dizer que a atmosfera assombrosa e a alma de quem lhe deu voz, são daquelas coisas que não se esquecem, tal como aquele arrepio na espinha que a imponência de uma igreja renascentista pode dar ao homem, o pensamento ágil de darmos por nós a pensar “Como é que isto se ergueu?”, e podem-nos explicar cem vezes, não é a mesma coisa sem a vermos primeiro, sem a sentirmos a ela e a sua imponência. Ermo é isso mesmo, algo renascentista no século vinte e um, pegou na riqueza das suas raízes e deu-lhe assim uma nova voz, tudo o que tiverem de bom no seu caminho, não será certamente surpresa alguma.

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Depois foi o tempo desta pessoa, sobre a qual não tinha grande conhecimento, Simone White, já tinha ouvido falar mas nunca tinha ouvido grande coisa, aparentemente apadrinhada pelo Damon Albarn, o que nos pode dizer muita coisa, ou não, no meu caso foi mais ou menos algo como a personagem do Dicaprio citou no Django “…Tinhas a minha curiosidade, agora tens a minha atenção…”.  A música de Simone White podia nem prestar, eu acho que aqueles olhos azuis seriam certamente banda suficiente para mim e para outras pessoas, alias, o silêncio é música frágil para quem as vezes não precisa de mais nada se não do silêncio apenas, que o diga John Cage, mas não me desviando do assunto, não foi isso que aconteceu, eram os olhos azuis, a cara humilde e um talento sobrenatural com um voz que deveria levar canela, açúcar e um bocado de mel, eu senti literalmente que diabetes era algo que poderíamos temer ao assistir um concerto inteiro de Simone White. Mais uma vez não sei o nome das canções, mas posso garantir que todas elas eram dadas a composições ricas, com influências marcadas mas com uma identidade própria. No final do concerto disse-lhe para ir ouvir Sibybille Baier porque foi a primeira pessoa que me veio a cabeça quando a comecei ouvir, e como ela não a conhecia, pode ser que fique a conhecer agora.

E foi assim, dois bons concertos, os nossos instintos não nos costumam enganar muitas vezes.

Texto: Vitor Pinto
Fotografia: Miguel Oliveira

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