Moe’s Implosion e Blind Charge no Hard Club

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Desafio arriscado o de querer fazer festa quando a Invicta está em modo de preparação para o S. João. Ainda assim, quando é de rock que se fala, há uns quantos que não olham a estes pormenores e siga a música naquele que tem sido um símbolo da resistência musical na cidade do Porto.

O Hard Club juntou, na passada sexta-feira, os Moe’s Implosion – a banda do Montijo que anda num frenesim a promover o seu “Light Pollution” – aos portuenses dignos de vénia, os Blind Charge. É que já não bastava termos ficado a conhecer esta semana o seu mais recente videoclip para “Medusa“, ainda levamos de bónus um concerto. Ora, quem é que se estava a queixar mesmo?

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Sejamos hospitaleiros e comecemos pelos convidados. Uma introdução pujante de “Space Fado” abre as hostes do concerto dos Moe’s Implosion no Porto. Qualquer coisa que teria uma tradução do género: “nós somos os Moe’s Implosion e temos um som do caraças” (são do Montijo, não se lembraram que estavam a falar para portuenses. Perdoem-lhes, vá.).

Desde novembro, aquando do lançamento do disco, que a banda não visitava o Porto, mas desta vez, veio preencher os mínimos. Sem a voz de Inês Laranjeira e algumas confusões no som, o entusiamo de alguns não promete fazer história.

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Ainda assim, quando o Hard Club abre as portas ao rock não deixa de ser bonito de se ver. E sentir. A propósito de “Captain Obvious“, disse João Sancho que “esta música é nova”, mas não enganou ninguém. E a imagem é a que se quer destes concertos.

Não estamos à espera que nasçam ensinados. O que apreciamos é a vontade e o desafio de trazer músicas mais sossegadas como “Doctor“. Se o público não enche a sala, fá-lo – e bem – o som dos Moe’s Implosion (o Sérgio, o técnico, a fazer trinta por uma linha).

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103 Fm” é a dedicatória e o resumo da noite: “Se não tivermos os nossos amigos neste meio que é a música, não fazemos absolutamente nada. Ou isso ou temos muito papel. Ou somos uma gaja muito boa”, disse o vocalista. Uma música “que fala sobre o que queremos que fale” e, desta vez, falou de rock. E amigos.

Com a promessa de voltar no outono, “de preferência com um disco novo”, os Moe’s Implosion despediram-se ao som de “Mastodonte“. Ah, claro, o mosh. Já nos estava a faltar qualquer coisa. Siga.

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Ignorando as mil e uma coisas em comum entre as bandas, preferimos dizer que os Blind Charge são outra história. Jogar em casa é vantagem na certa, mas um dia fazemos a comparação em terras do sul.

Pedro Ferraz não é de grande falatório e ninguém quer muito mais do que eles oferecem às paredes do Hard Club. “March” e “Mr. Ocean” abrem o concerto, mas é “Recapture” que faz explodir a noite. Aqui não há meio termo. Uma intensidade abismal faz-nos perceber como já ressacavamos da presença dos Blind Charge.

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Já gritamos todos, as letras falham aqui e ali mas já não há marcha-atrás e só nos resta ceder ao mosh. Foi para isso que antecipámos o S. João e foi. Depois de “Idiots Savants“, “alguém se lembra desta?”. E esta é “Money“. É sempre a andar. Se travar vai derrapar perigosamente.

Não arriscamos. A banda traz “Royal Blue” e, para fechar, acelerador a fundo para “Walking Cliche“  – curto e grosso, só para quem aguenta – e a música da semana, “Medusa“. Baixista no público, público no palco, como se quer. Está instalada a loucura do rock, para não lhe chamar essência, que é palavra pouco perceptível para alguns.

Como ninguém resiste a um “Mais uma, c******!”, ei-los de volta ao palco. Fácil e mesmo que “esta m**** não afine”. Porque afinal, “esta música é boa”. É “White Noise” e corresponde. Últimos cartuchos num bombardeamento lançado pelo guitarrista. Demos o peito às balas, só mais trinta segundos, às cegas.

Fotografia: Nuno Fangueiro
Texto: Cláudia Brandão

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