Reportagem Xutos & Pontapés no Dragão Caixa

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Ontem assistiu-se no Dragão Caixa a um possante tributo ao rock português.

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A banda Portuense O Bisonte nascida em 2010, que já lançou o seu primeiro CD “ALA”, foi responsável pela abertura pontualíssima do concerto da banda do seu “padrinho” Zé Pedro. Foi com Esqueleto que começaram a aquecer a sortida plateia que aguardava expectante. Davide Lobão (vocalista) com uma energia contagiante bradava “Levantem-me esses braços!” e “Isto é uma festa!” não se deteve enquanto pisou o palco. Num tom mais intimista interpretaram “Imóvel”, e daí partiram para o rock mais duro com “Acácia” entre outros temas, terminando com “Bandilhagem” e “Matilha dos Tristes” que aqueceu com certeza a plateia que já se havia rendido.

Foi agora tempo das lendas vivas do rock português (Tim, Zé Pedro, Cabeleira, Kalú e Gui), que comemoram em 2012 os 33 anos da sua carreira nos Xutos e Pontapés, subirem ao palco.

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Em 1985 os Xutos lançaram o seu segundo álbum “O Cerco”, gravado em condições de improviso e às custas próprias. O disco contém algumas temas que nunca mais se deixaram de ouvir em Portugal como “Homem do Leme” e “Conta-me Histórias”, tendo estes tido uma fulcral contribuição para o êxito celebrado pela banda.

Ontem os Xutos apresentaram, no seu primeiro concerto de 2012, a reedição desde álbum, intitulando-o de “O Cerco Continua” que contém 3 temas extras, “Tonto”, “Perfeito Vazio” e “Quem é Quem”, e uma “cover” de “Vossa Excelência” do grupo brasileiro Titãs.

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Como não poderia deixar de ser, estrearam o concerto com “Cerco”, que começou logo a atravessar de nostalgia alguns dos que ali se encontravam. Numa familiaridade que caracteriza a sua relação com o público seguiram-se temas do cerco como “Barcos Gregos” e “Vôo das Águias” que foi intervalado por um pouco de pirotecnia enquanto começava o tema “Sexo”, a balada “Conta-me Histórias” e por fim o single “Homem do Leme2. “Isto foi o cerco, um concerto sobre independência” dizia Tim, em sincronia com a plateia eléctrica, que não parava de aplaudir e aclamar, exigindo o desenrolar do concerto.

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Assentindo ao pedido os Xutos e Pontapés continuaram com “Remar Remar”, “Gritos Mudos”, “Jogo do Empurra”, onde a guitarra foi protagonista, e ainda o cover de “Vossa excelência”. A banda estava em plena sintonia com o público, e os grandes temas como “Perfeito Vazio” foram dos momentos mais distintos da noite, embora o público não tenha plenamente assentido ao pedido de perfeito silêncio de Tim. Para terminar “Negras Como a Noite deixou a audiência em alvoroço a ambicionar mais. E aí surge Kalú, equipado com a sua camisola e cachecol Portista para interpretar classicamente “Tonto”. Houve ainda tempo para mais de meia dúzia, com “Dia de São Receber”, “Chuva Dissolvente” e ”Para ti Maria”, após as quais Zé Pedro fica no palco para agradecer estes 33 anos e deixar uma mensagem de esperança e de que “Outro mundo é possível” incentivando à crença nas novas gerações.

O segundo encore era inevitável, porque mesmo depois de distribuírem palhetas e baquetas, o público não arredava pé, e os Xutos tiveram de voltar para agora sim, encerrar este gigante concerto com “Não sou o Único”, “Contentores”, “A Minha Casinha” e o eterno “Para Sempre”. Parabéns aos Xutos que continuam a provar que em Português se faz excelente música!

Texto: Margarida Cardoso
Fotografia: Miguel Oliveira

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