Reportagem: Guano Apes no Coliseu do Porto

crw 3559 copy Reportagem: Guano Apes no Coliseu do PortoAtenção jovens adultos dos seus 25/30 anos: as próximas linhas podem evocar imagens já vividas e emoções de outros tempos. Qualquer semelhança com o vosso momento de adolescentes não é pura coincidência. É Guano Apes de volta a Portugal.

Depois do concerto em Lisboa, o Coliseu do Porto não encheu (nem pouco mais ou menos) para receber a banda alemã e, na verdade, foi uma noite que dividiu corações. A tour que levou os Guano Apes pelos palcos europeus dá pelo nome de “Bel Air”, homónima do álbum lançado no ano passado. Portanto, é natural que a banda tenha trazido muitos dos temas que compõem um trabalho desconhecido pelo grosso do público português, que devia esperar um concerto revivalista, preenchido apenas com os êxitos que arrasavam nos tops na década de 90.

mg 8191 copy Reportagem: Guano Apes no Coliseu do Porto

A abrir com “Quietly”, de 2003, rapidamente se fez ouvir o primeiro single de Bel Air, “Oh What a Night”. O Coliseu estava nos aquecimentos, mas já se apercebia das diferenças que os anos foram marcando nos Guano Apes. Sandra Nasić continua com a mesma afinidade com o público. Apenas parece ter deixado para trás a movimentação animalesca e a voz que aguentava qualquer grito, dos bem graves. “É um prazer estar aqui”, disse entre sorrisos.

 Seguiu-se “You Can’t Stop Me”, para começarmos a saltar, mas seria o incontornável “Open you eyes” a levantar o Coliseu. Assim sim, dizem, pelo menos, os fãs da frente. Assim voltamos a ter 16 anos e a cumplicidade com a vocalista é a de sempre. Haja nostalgia. Stefan Ude, o baixista, dá o mote para os saltos e Sandra nem precisa de cantar. Cantamos, saltamos, somos os fiéis adolescentes de volta aos anos 90. Poucos, mas fiéis.

À introdução de “Sunday Lover”, Sandra faz a vénia de joelho no chão. “O último espetáculo da Bel Air Tour podia ser melhor?”, perguntou o guitarrista, Henning Rümenapp, “Portugal sempre foi uma segunda casa, obrigada pelo vosso apoio”. E isso basta.

mg 8205 copy Reportagem: Guano Apes no Coliseu do Porto

Com “Fire in your eyes”, “She’s a Killer”, “Tiger” e “All I wanna do”, todas saídas do último álbum – que poucos confessaram ter – os Guano Apes correram o risco de arrefecer incontornavelmente o Coliseu. Por desconhecimento dos fãs e porque o som da banda está diferente, mais duro. O pop-rock ficou em 99, eles estão crescidos.

Também nova, “When the ships arrive” teve um efeito diferente e despontou as molas nos pés e aí sim o público saltou como nos velhos tempos. Sandra ligou o modo speed e sempre que perguntou “What do you want to be?”, o Coliseu respondeu em harmonia e para toda a gente ouvir: “I wanna be your baby”. Até o baterista perdeu a cabeça e perdeu peças com a força do momento.

crw 3547 copy Reportagem: Guano Apes no Coliseu do Porto

Ver Guano Apes, anos depois, é como rever uma paixão da adolescência. Toda aquela época de encantamento nos passa em frente aos olhos e, visto ao longe, tudo parece incrivelmente bonito e de emoções puras. Guano Apes parece um daqueles amores que nunca termina, mesmo que ambos tenhamos mudado bastante.

Sandra Nasić mostrou-se a verdadeira “fangirl” do público português e não se cansou de vir cantar para perto dos fãs. “Fanman”, precisamente, e “This Time” fechariam as primeiras contas do último concerto da tour dos alemães pela Europa. “Não estamos nada felizes por acabar isto”, disse Henning Rümenapp.

mg 8267 copy Reportagem: Guano Apes no Coliseu do Porto

O encore, pedido sem grandes euforias, diga-se, trouxe um potente momento instrumental de “Plastic Mouth”, umas quantas bebidas distribuídas ao público e o relembrar dos muitos festivais nacionais pelos quais os Guano Apes já passaram em quase 20 anos de existência.

Staring at the Sun” precedeu um pedido gritado do público e “Big in Japan” fez o Coliseu atingir o auge até ao momento. Foram os três minutos de mais rock nessa noite e a vocalista, mais uma vez, cá em baixo a cantar e deixar cantar. “Vocês são perigosos”, disse Sandra, mas satisfeita.

crw 3582 copy Reportagem: Guano Apes no Coliseu do Porto

Divertidos, os membros dos Guano Apes apareceram para a música final encarnando o verdadeiro espírito de Carnaval e fantasiaram-se a preceito. Sem máscara, mas com espírito de super-mulher,  Sandra Nasić pôs o Coliseu ao rubro com “Lords of the Boards” e assim fechou uma noite onde a balança não soube para que lado pender. Valeu o peso do passado.

Dennis Poschwatta, o baterista, foi o último a deixar o palco e não parou de lançar baquetas para o público e até fazer alguns divertidos passos de dança.

Texto: Cláudia Brandão
Fotografia: Miguel Oliveira
Produção: PEV Entertainment

Leave A Comment

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers: