Noites Ritual Dia 2

Depois da descarga de energia com que os Zen encerraram o dia da ELECTRICIDADE das Noites Ritual, o segundo e último dia foi dedicado aos RITMOS, e houve-os para todos os gostos. No palco Ritual foi o rock a marcar o compasso, primeiro com os The Chargers, que abriram as hostilidades numa altura em que as pessoas começavam ainda a chegar ao Palácio. A combinação de uma sonoridade surf rock, essencialmente instrumental, com uma componente visual a remeter para os míticos Los Straitjackets, foi despertando a curiosidade dos recém-chegados, que tiveram oportunidade de ouvir algumas das músicas do primeiro trabalho discográfico da banda.

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The Chargers

Ainda no palco, onde naquela noite o rock foi “rei e senhor” e, já com uma plateia de respeito, “de Aveiro para o Mundo”, como foram anunciados, seguiram-se os The Underdogs, uma das bandas incluídas na compilação Novos Talentos FNAC 2011. O rock bluesy desta banda trouxe reminiscências da fase eléctrica do Dylan, se bem que ao ouvirmos a voz do Victor Hugo é impossível não nos lembrarmos dos The Strokes.

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The Underdogs

Foram os D30, já repetentes no que toca a presenças nas Noites Ritual, a quem coube a honra de fechar as hostes do palco Ritual, com uma explosão do mais puro rock de uma banda que claramente tem no palco o seu habitat natural. No curto concerto da banda, houve tempo para deixar água na boca relativamente ao álbum que se seguirá ao Exposed.

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D3O

No palco Principal, os ritmos foram outros, e bem diversificados. Ver um concerto dos Terrakota é uma experiência multicultural, uma volta ao mundo na qual somos convidados a provar as iguarias musicais dos quatro cantos da Terra. Os Terrakota puseram a “família” (era assim que se dirigiam ao público ali presente) a cantar, a saltar e a fazer coreografias, respondendo aos apelos da banda de que “a vida precisa do vosso manifesto”. “Paz, respeito e liberdade, levem isso com vocês nos vossos corações”, foi o mote de encerramento do concerto, e podia bem servir de mote a este projecto musical.

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Terrakota

A segunda actuação no palco Principal deu lugar a manifestos de outra ordem, com os míticos Mind Da Gap a confirmarem em palco porque é que hão-de ser sempre uma das grandes referências do hip hop nacional. Aprentando-se com reforços de peso (o baterista André Hollanda, o teclista Sérgio Freitas e o DJ Slimcutz) e improvisando cânticos à cidade do Porto em várias músicas, os Mind Da Gap partilharam “A Essência”, mas brindaram também o público com temas que são clássicos do hip hop nacional, com destaque para a “Dedicatória”, cujo refão foi cantado em uníssono pelos presentes, para o momento de descompressão com a “Não Stresses”, e para o encerramento do concerto com “Todos Gordos”…quem não salta, não é da malta…mas todos estavam com os Mind Da Gap!

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Mind Da Gap

Coube aos Orelha Negra fechar o dia do RITMO, num concerto que acabou por aglomerar toda a diversidade rítmica das Noites Ritual: o hip-hop, o funk, o soul e a música eléctronica foram sendo misturados com ilustres “convidados” como MC Hammer, Prodigy e até mesmo Beyoncé. A opção da banda de aliar à componente instrumental as vozes de artistas conhecidos tem-se revelado, neste e noutros concertos, uma receita bem sucedida, com o público a aderir de forma entusiasta à nostalgia suscitada pelos samples de músicas intemporais como a “U Can’t Touch This“. Após estes dois dias de descargas eléctricas e rítmicas no Palácio de Cristal, só apetece dizer que a Música Portuguesa está de boa saúde e recomenda-se.

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Orelha Negra

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Texto: Mariana Barbosa ; Fotografia: Miguel Oliveira

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