Rock In Rio – 3º Dia

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Este Dia Mundial da Criança foi certamente especial para muitas meninas adolescentes. Este foi, sem dúvida, o dia mais juvenil deste festival. Lenny Kravitz é o cabeça de cartaz, mas são os Maroon 5 quem a maioria quer ver.

 

Hoje, o Palco Sunset abre, excepcionalmente, mais cedo, com a Orquestra Todos. Esta orquestra é constituída por 14 músicos e é dirigida pelo maestro Mario Pecorelli. Começou em Lisboa, no Sport Clube do Intendente, mas reúne músicos de mais de 10 países diferentes. Assim, pudemos assistir a uma experiência multicultural fenomenal.

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Pouco depois de a Orquestra Todos se ter despedido, entraram em palco os The Black Mamba. A banda lisboeta, que se define através de sons afro-americanos, está a apresentar o novo álbum – lançado há menos de um mês –, homónimo. Tatanka, o vocalista, vai brincando com o público entre as canções e, antes da I’ll Meet You There, faz um apelo: “Eu sei que ainda têm uma grande noite pela frente, mas podem levantar-se e aproximar-se do palco! Vamos tocar uma canção de amor.” Depois da balada, chamam “o grande Tiago Bettecourt” ao palco, para tocar o primeiro single da banda. Claramente, era por ele que o público esperava: uma chuva de aplausos seguiu-se à sua entrada em palco. A mistura entre a melancolia de Tiago Bettencourt e a africanidade dos The Black Mamba resultou muito bem em temas como Caminho de Voltar ou Só Mais Uma Volta. A euforia do público foi total quando revisitam o tema mais conhecido dos Toranja, Carta. Pelo meio do concerto, houve quem ostentasse uma grande bandeira do Sporting Clube de Portugal: os músicos riram-se, mas não se deixaram distrair. Este concerto terminou com uma versão de Otis Redding, Hard to Handle.

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Entretanto, o primeiro Showcase da Vodafone deste fim-de-semana começa. Julie and the Carjackers sobem ao palco e impressionam quem por lá vai passando. A banda está a apresentar o álbum de estreia, PARASOL. Temas como Mr. Williams e Wait By The Telephone animaram este final de tarde solarengo. Contudo, não conquistaram a atenção de muita gente. Provavelmente, quem passeava pela Cidade do Rock neste terceiro dia de festival estava mais interessado no pop dos Maroon 5 do que no rock/folk dos lisboetas Julie and the Carjackers. Mas as poucas pessoas a assistir não foram motivo para a festa ser menor: o sexteto deu um concerto bastante enérgico e eficaz.

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Os Expensive Soul estrearam o Palco Mundo e deram a entender que nem eles próprios acreditavam: “Isto está mesmo cheio, fenomenal! Fogo, façam barulho a vocês mesmos. Vocês merecem!” O duo de Leça da Plameira mostrou-se com a energia necessária para entusiasmar o final de tarde das milhares de adolescentes que ali estavam. Passaram pelos êxitos que os trouxeram à ribalta, como 13 Mulheres, Brilho e Falas Disso, mas foi com o mais recente single, O Amor É Mágico, que puseram toda a plateia a cantar e saltar. Neste tema, fizeram-se acompanhar por atletas olímpicos e paralímpicos portugueses e, já com o espírito do Europeu deste ano, defenderam o produto português: “O que é nacional é bom, não se esqueçam!” New Max e Demo terminam com O Dia Mais Feliz, agradecendo ao público pelo “momento de consagração” de que ali desfrutaram.

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Quando a Ivete Sangalo sobe ao palco, eram já dezenas de milhares que a esperavam. A brasileira já é veterana deste festival, tendo tocado em todas as edições portuguesas. Por isso, não foi de estranhar quando exclamou “muito obrigada pelo carinho, portugueses! Eu hoje estou em casa!” Entre muitos saltos e algumas coreografias bem ensaiadas, alguns dos temas mais célebres de Ivete Sangalo deixaram o Parque da Bela Vista em êxtase. Berimbau Metalizado, Sorte Grande e Abalou são apenas três exemplos dos 17 temas que compunham o alinhamento desta noite. A surpresa, contudo, estava fora da setlist e acabou por ser um dos momentos mais imprevisíveis do Rock in Rio deste ano. A artista senta-se ao piano e prepara-se para surpreender todos os presentes: canta, e toca irrepreensivelmente, Easy, dos Commodores. Atreve-se ainda a alterar a letra de “that’s why I’m easy” para “that’s why I love you, Lisboa” e acaba por se emocionar. Depois de recuperar esta canção dos anos 70, regressa aos seus próprios êxitos com Na Base do Beijo e termina com País Tropical. Encheu o recinto de alegria e festa e é caso para dizer: Até daqui a dois anos, Ivete!

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            A banda mais aguardada da noite entra em palco às 22h certas. Adam Levine, James Valentine, Jesse Carmichael, Mickey Madden e Matt Flynn sobem ao palco e o ambiente da plateia é de puro histerismo. Os Maroon 5 são recebidos com alguns aplausos e muitos gritos. Começam com Payphone, segundo single do mais recente álbum, Hands All Over. Segue-se Stereo Hearts e, depois, o primeiro grande sucesso da banda: This Love. É justamente esta a canção que põe dezenas de milhares de pessoas a cantar do início ao fim. Continuamos a revisitar temas do primeiro álbum da banda, Songs About Jane (2002), com Harder to Breathe e Sunday Morning. Depois de musicas mais recentes, como Misery, Adam Levine, o vocalista, surpreende-nos com o refrão de Roxanne, acabando por elogiar não só Sting, mas também Michael Jackson e Stevie Wonder. Mais três canções, e chegávamos finalmente ao momento mais desejado da noite. Não, eles não trouxeram a Christina Aguilera. Mas não foi pela ausência da cantora pop que o público se entusiasmou menos com Moves Like Jagger – antes pelo contrário! A plateia maioritariamente feminina delirou com Adam Levine e a sua banda. Este foi, certamente, o ponto alto da noite. O concerto estava já perto de acabar, mas havia ainda tempo para Hands All Over, a canção que dá nome ao último álbum da banda, e para She Will Be Loved, a balada que lhes deu mais visibilidade. Adam Levine despede-se exclamando “what a blast!” Assim que o primeiro concerto de Maroon 5 em Portugal termina, assistimos a uma retirada geral: o recinto fica visivelmente mais vazio.

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Lenny Kravitz toca, portanto, para uma plateia menos composta. Entra em palco já atrasado e, sem grandes conversas, começa com um tema rock, Come On Get It, do mais recente álbum, Black and White America. Talvez por ainda não ser tão conhecida, não gerou a reacção entusiasta esperada. American Woman, a terceira música do concerto, foi a primeira que conquistou a atenção da plateia. Seguiram-se outros clássicos, It Ain’t Over Till It’s Over e Mr. Cab Driver. Depois, uma espécie de jam session conduziu os músicos até à canção que dá nome ao último álbum do norte-americano, Black and White America. Contudo, os ânimos voltaram a esmorecer-se com a sequência que se seguiu: Fields of Joy, Stand By My Woman, Believe e Stand. Ao longo do concerto muitas pessoas foram abandonando o recinto, tendo ficado apenas aquelas que aguardavam ansiosamente pelo maior êxito do cantor: Fly Away. Estando gasto o melhor trunfo do artista, o público voltou a parecer meio adormecido enquanto o fim do concerto se ia aproximando. Como encore, ouvimos uma versão prolongada de Let Love Rule. Nesta altura, já a maior parte das 74 mil pessoas que ali estiveram tinham ido embora.

 

Texto: Raquel Segadães
Fotografia: Miguel Oliveira

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One Response to “Rock In Rio – 3º Dia”
  1. Zune.Net diz:

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