Rock In Rio – 2º Dia

RiR 4 Limp 4 Rock In Rio   2º Dia

No segundo dia do festival, o Parque da Bela Vista recebeu cerca de o dobro das pessoas do primeiro dia. Mais de 80 mil pessoas foram ver Limp Bizkit, The Offspring, Linkin Park e Smashing Pumpkins.

RiR 1 Rita Redshoes 11 Rock In Rio   2º Dia

I’m the captain of my soul” foi o primeiro verso que se ouviu no Palco Sunset neste final de tarde. Mas a voz não era a mais esperada, a de Rita Redshoes. Quem cantava era Moreno Veloso, filho de um dos maiores músicos brasileiros, o Caetano Veloso. Depois do single de Lights & Darks, o segundo álbum da artista, Moreno Veloso traz-nos um pouco do Brasil com Deusa do Amor. Durante cerca de uma hora, ouvimos canções como The Beginning Song, Arrivederci, Choose Love e How Beautiful Could a Being Be. Moreno Veloso promete-nos o “Carnaval da Bahia” e comentou, entusiasmado, “que vida boa é a da música”. O samba contagiou todos os músicos do palco e também o público. “Todo o mundo aqui mexeu, vai ter de mexer também” é o pedido que o brasileiro faz às pessoas que assistiam a este concerto. E todos sambaram um bocadinho.

A aliança entre Portugal e o Brasil continua no Palco Sunset e a Mafalda Veiga junta-se o músico Marcelo Jeneci. O concerto começou com Fim do Dia e terminou com Estrada, dois temas da intérprete portuguesa, passando por temas do brasileiro como Amado, Feito Pra Acabar e Borboleta. O público esteve entusiasmado e receptivo em relação às canções do Marcelo Jeneci. Contudo, naturalmente, sempre que os temas eram da Mafalda Veiga todos cantavam e demonstravam reconhecer o que ouviam.

RiR 4 Limp 12 Rock In Rio   2º Dia

Depois destes dois concertos luso-brasileiros, o Palco Sunset faz uma pausa para que todos possam ver os Limp Bizkit no Palco Mundo. Em apenas 10 canções, conseguiram puxar pelo público e aquecê-lo para as bandas que se seguiam (Fred Durst chegou a cantar In The End dos Linkin Park e Why Don’t You Get a Job dos Offspring). O concerto começou com My Generation, do álbum Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water; a meio da Break Stuff, Durst vai para o meio do público e mistura-se na multidão, continuando a cantar. O concerto termina com uma Nookie um pouco diferente da versão original e, de seguida, com a Rollin, do álbum já referido.

 

O Palco Sunset recebe mais uma parceria luso-brasileira, esta já mais conhecida: os Xutos e Pontapés tocam mais uma vez com os Titãs. Se, no ano passado, a banda portuguesa foi tocar ao Rock in Rio do outro lado do oceano, esta foi a vez de os Titãs atravessarem o Atlântico e virem trazer a sua sonoridade aos portugueses. Quem é Quem abre este concerto, ainda com apenas cinco músicos em palco: Tim, Zé Pedro, Kalú, João Cabeleira e Gui. De cinco passaram a dez logo na primeira versão conjunta, Polícia, original da banda paulista. Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony Bellotto e Mario Fabre apresentaram versões de canções que celebrizaram os Xutos, como À Minha Maneira ou Dados Viciados. Para Alta Rotação e Cabeça Dinossauro, Andreas Kisser, que esteve na noite anterior no Palco Mundo com os Sepultura, subiu ao palco e “ajudou” as duas bandas. Os Xutos também se apropriaram de canções dos Titãs e mostraram ali a sua versão de Vossas Excelências, “uma homenagem a essa classe política incompreendida e perseguida, os políticos!”. Num intervalo entre duas canções, a crítica continua e Kalú canta “coelhinho, se eu fosse como tu, pegava na troika e metia-a no c*, coelhinho…”. Muitos são os agradecimentos que as duas bandas fazem, mas o maior é a Zé Ricardo, o responsável por aquele palco e pela “formação desta superbanda luso-brasileira”. Os dez músicos despedem-se com uma tradicional canção de fecho de concertos dos Xutos e Pontapés, Casinha.

RiR 6 Offspring 3 Rock In Rio   2º Dia

No Palco Mundo, os Offspring já tinham começado o concerto. Gonna Go Far Kid foi a primeira música que tocaram, mas foram All I Want e Come Out and Play os temas que conseguiram verdadeiras provas de entusiasmo do público. Dexter Holland, o vocalista, revela a sua satisfação em tocar ali, elogiando a plateia: “you’re a great crowd!”. Se alguns temiam que eles já fossem demasiado velhos, outros sabiam que a festa estava garantida. E ninguém pareceu desiludido. Os clássicos, como Americana, Pretty Fly (For a White Guy), e Self Esteem, foram tocados – como seria de esperar. A animação do público foi aumentando progressivamente e os últimos trinta minutos foram de grande agitação. Afinal, esta banda era já uma repetente neste festival e sabia bem o que estava a fazer.

RiR 8 Linkin Park 17 Rock In Rio   2º Dia

Os Linkin Park não eram, oficialmente, os cabeça de cartaz do dia, mas foram sem dúvida os que mais pessoas atraíram ao Parque da Bela Vista. Este foi o primeiro concerto da actual digressão europeia da banda californiana e a prova de que a química entre os dois vocalistas, Chester Bennington e Mike Shinoda, não se perdeu. Apesar de estarem prestes a lançar um novo álbum, Living Things, focaram-se principalmente nas canções cujo sucesso construiu a carreira que têm hoje. Somewhere I Belong teve direito a uma plateia inteira em coro e Numb, que se seguiu, pôs milhares de pessoas aos saltos. Lies Greed Misery foi o primeiro tema dos novos que ouvimos e não passou despercebido a ninguém. Outro ponto alto da noite foi com a conhecidíssima Breaking the Habit. Bennington atravessa um dos corredores que vai do palco à plateia enquanto canta Crawling e regressa ao palco com um cachecol do Futebol Clube do Porto, oferecido por um fã, não tendo percebido o que isso representava. Foi altamente vaiado, mas tudo isso se tornou insignificante quando tocaram New Divide, In The End, Bleed It Out e, para fechar o concerto, One Step Closer.

RiR 9 Smashing Pumpkins 1 Rock In Rio   2º Dia

Assim que os Linkin Park terminaram, um mar de pessoas abandonou o recinto, mostrando qual tinha sido a grande atracção da noite. Contudo, os Smashing Pumpkins não desiludiram os seus fãs, e até tocaram temas que não eram esperados. Billy Corgan tinha garantido que este regresso se ia centrar nos trabalhos novos da banda, e não nos clássicos. Portanto, ninguém esperava que o concerto começasse com um trio formado pelos temas Zero, Bullet With Butterfly Wings e Today, pois não? Mas assim foi, e correu muito bem. Corgan ressuscitou – com a ajuda de Mike Byrne na bateria, Nicole Fiorentino no baixo e Jeff Schroeder na guitarra – os Smashing Pumpkins dos anos 90 e assim conseguiu agradar à maioria ali presente. Não foram tão bem sucedidas as canções novas apresentadas, como Panopticon, por exemplo, do álbum Oceania, que ainda não saiu. Algumas músicas mais experimentais e menos conhecidas do público resultaram em simples tempos mortos na plateia, mas temas como 1979 ou Ava Adore recuperavam a atenção dos fãs. Já no encore, a música por que muitos esperavam: Disarm. As versões de Space Oddity, do David Bowie, e de Black Diamond, dos Kiss, foram as últimas surpresas da noite.

 

Texto: Raquel Segadães
Fotografia: Miguel Oliveira

Leave A Comment

Follow

Get every new post delivered to your Inbox

Join other followers: