Rock In Rio – 1º Dia

RiR Dia1 3 We Are The Damned 14 Rock In Rio   1º Dia

O dia do metal começou com dezenas de fãs dos Metallica a correr pelo recinto para chegarem ao palco. Alguns passaram a tarde colados às grades, à espera das 23h30. Outros aproveitaram a pulseira para o snake pit e ainda deram umas voltas pelo espaço.

RiR Dia1 1 Mão Morta 4 Rock In Rio   1º Dia

Esta edição do Rock in Rio – Lisboa foi inaugurada por uma das vozes mais consagradas do rock português: Adolfo Luxúria Canibal. Os Mão Morta entraram no Palco Sunset com a última canção do primeiro álbum da banda, Aum. Depois do passeio pelas capitais Amesterdão, Barcelona e Paris, entra no palco “a surpresa mais mal guardada”. Pedro Laginha e os seus Mundo Cão juntam-se aos Mão Morta e tocam Novelos da Paixão, do álbum Pesadelo em Peluche. Segue-se a Morfina, dos Mundo Cão, e logo depois Adolfo Luxúria Canibal chama ao palco “uma surpresa melhor guardada”: Valter Hugo Mãe. O autor escreveu a letra de Ordena Que Te Ame e, neste final de tarde, deu-lhe voz, cantando com Adolfo Luxúria Canibal e Pedro Laginha. Quando o escritor sai do palco, o irreverente vocalista dos Mão Morta comenta que ele estava “mais nervoso do que um feijão no cu da galinha”. O tema Anarquista Duval foi agitado no palco e entre o público. Alguns fãs mais entusiasmados tentaram provocar um moche, embora sem grande sucesso. No palco, Adolfo Luxúria Canibal atira-se a um dos guitarristas dos Mão Morta e, depois, ao chão. Levanta-se para tocar o último tema, E Se Depois. Valter Hugo Mãe regressa ao palco, aparentemente mais descontraído. Adolfo Luxúria Canibal dança freneticamente com ele e com Pedro Laginha, o baterista dos Mão Morta atira as baquetas ao público e assim se despedem as duas bandas.

RiR Dia1 1 Mão Morta 12 Rock In Rio   1º Dia

Pouco depois, o Palco Sunset recebe mais uma banda portuguesa. Desta vez, são os Ramp que invadem o ambiente e animam o público. O vocalista dos Ramp, Rui Duarte, provoca o público com frases como “Não vos ouço!” ou “Eu quero ouvir toda a gente!” e consegue alguma resposta. Enquanto o vocalista brinca com o tripé do microfone, no público vê-se muito headbanging. Os Teratron juntam-se aos Ramp, depois de temas como Follow You ou The Cold, para tocar Black Tie. Depois desta canção, Rui Duarte diz “Eu podia dizer asneiras, mas vou deixar para as vossas vozes. Foi do…” e os gritos do público completaram a frase. As duas bandas continuaram a tocar temas de ambas, passando pelos mais conhecidos, como Professor Labareda, dos Teratron, e Insane dos Ramp. As despedidas foram cheias de agradecimentos e com um desejo: “Espero que curtam o concerto dos Metallica tanto como eu vou curtir!”

RiR Dia1 4 Publico 3 Rock In Rio   1º Dia

Antes dos Metallica, no entanto, ainda havia muitas bandas para ver. O Palco Mundo foi inaugurado pelos brasileiros Sepultura. Muitos aproveitaram esta hora para jantar, é certo, mas a plateia foi enchendo durante o concerto. Os Tambours du Bronx deram as primeiras batidas de Mixture e logo aí se ouviram aplausos. O público estava entusiasmado com o regresso da banda brasileira a Portugal. O cenário era contagiante: muitos braços no ar agitados, muitos gritos de fãs animados e muito headbanging ao som das guitarras dos Sepultura e dos rufos dos Tambours du Bronx. Aqueles que preferem a formação original da banda brasileira talvez não tenham ficado satisfeitos. Contudo, os que deliram com os trabalhos mais recentes da banda não se puderam queixar. À excepção das incontornáveis Refuse/Resist e da Roots Bloody Roots, este concerto focou-se principalmente em temas da fase pós-Cavalera.

RiR Dia1 5 O Bisonte 24 Rock In Rio   1º Dia

No palco da Vodafone, alguns showcases ocupam os intervalos do Palco Mundo. Entre os Sepultura e os Mastodon, O Bisonte animou os rockeiros que por ali passaram. Davide Lobão, o vocalista, começa por apresentar a banda: “Nós somos os gajos do Porto!”. Logo de seguida, o rock nortenho enche o espaço da Vodafone. Pelo meio de duas músicas, há quem se aproxime do palco para mostrar que tem uma t-shirt da banda. O tema Tudo de Bom é um dos que mais sucesso faz entre aquele público. Já quase no fim, o vocalista faz um apelo: “eu sei que se estão a guardar para os Metallica, mas toda a gente que quiser levante os braços e os dedos do meio! Há muitos motivos para o fazermos, hoje em dia!”. Na plateia, há quem se guarde mesmo para os concertos mais tardios, mas há também quem siga o apelo da banda e levante os dois braços, assim como os dedos do meio. É assim que O Bisonte se despede.

RiR Dia1 6 Mastodon 4 Rock In Rio   1º Dia

O Palco Mundo volta a ser o centro da Cidade do Rock quando os Mastodon entram em cena. A plateia está mais composta do que no concerto dos Sepultura, e vai crescendo à medida que a hora dos Metallica se aproxima. A banda beneficia deste facto, naturalmente, e aproveita para mostrar temas do seu álbum mais recente. Um dos singles de The Hunter, Black Tongue, dá início a este concerto. Outros temas que fizeram parte do alinhamento foram Dry Bone, Thickening, Stargasm e Curl of the Burl. Já no final, enquanto tocam Blood and Thunder, os dois guitarristas demonstram que não têm medo do público ao avançar pelas passadeiras que se prolongam do palco até à plateia. Apesar da escassa comunicação entre a banda e o público, um simples “Obrigado” foi o suficiente para os músicos conseguirem fortes aplausos na despedida.

RiR Dia1 7 Evanescence 6 Rock In Rio   1º Dia

“It’s been eight years, Lisbon!”: Foi assim que Amy Lee cumprimentou a plateia. Referia-se, claramente, à primeira edição do Rock in Rio em Lisboa, em 2004. No entanto, os Evanescence já não são os mesmos que cá estiveram há oito anos. Da formação original, apenas Amy Lee, a vocalista, se mantém. Mas as trocas dos integrantes da banda não são motivo para se evitar os clássicos. Depois de What You Want, Going Under foi o segundo tema do concerto, deixando o público algo efusivo. Amy foi trocando as teclas pelo piano e vice-versa ao longo do concerto, tendo tocado canções como My Heart is Broken, Call Me When You’re Sober e Never go Back. Nota especial para Your Star, canção que Amy contou ter escrito em Lisboa, em 2004, quando esteve na primeira edição portuguesa deste festival. A vocalista brinda o público com a sua simpatia e sorriso sempre rasgado enquanto canta. “I know you know this one”: é assim que Amy Lee introduz a música com que termina este concerto. Bring Me to Life foi a canção que trouxe os Evanescence à ribalta, quando a banda lançou o primeiro álbum de estúdio, o Fallen, e foi a canção que mais sucesso fez nesta noite. O público demonstrou não estar esquecido, e cantou e aplaudiu a banda americana.

 

James Hetfield sabe que está no Rock in Rio, mas começa por perguntar “Lisbon! Are you alive?”. Esta referência ao festival de Algés, onde os Metallica também já tocaram, não passou ao lado de quem estava na plateia. Contudo, acabou por ser um pormenor com pouca importância. “Metallica is with you”, gritam os quatro antes de começarem o concerto. Hit the Lights é a primeira música deste tão aguardado concerto. Apesar de os Metallica passarem por Portugal todos – ou quase todos… – os anos, os seus fãs não se mostram cansados e muito menos fartos da banda. O entusiasmo da plateia era bastante óbvio, e foi crescendo com temas como Hell and Black e The Struggle Within. O álbum homónimo, de 1991, mais conhecido como The Black Album, foi tocado na íntegra. Mas, em vez de começarem pela Enter Sandman, essa foi uma das últimas músicas da noite – e, também, uma das que provocou reacções mais efusivas no público. Os Metallica preferiram um alinhamento mais alternativo e, por isso, tocaram o álbum de trás para a frente. A balada Nothing Else Matters foi cantada quase em uníssono pela plateia. O ponto alto da noite foi, sem dúvida, com o tema The Unforgiven. Estes temas, apesar de serem os mais óbvios, foram os que renderam o público ao espectáculo. Espectáculo esse que não ficaria por ali… Já no encore, a plateia é surpreendida pelas chamas que irrompem nos dois lados do palco durante a Fight Fire With Fire. A canção que se seguiu, One, teve um cenário ainda mais arrebatador: petardos, lasers, fogo-de-artifício e máquinas de fumo espalhadas pela plateia. Começa-se a ouvir Seek and Destroy quando o baterista Lars Ulrich pede ao público para não pedirem mais nenhuma canção. De uma das torres do recinto são lançadas para a plateia bolas com o logótipo da banda. O primeiro verso desta última canção foi alterado de “We are scanning the scene in the city tonight” para “We are scanning the scene in Lisbon tonight”, intensificando ainda mais, se possível, o ambiente. James Hetfield despede-se com uma declaração de amor à capital, primeiro, e depois ao país: “Metallica loves you, Lisboa! Metallica loves you, Portugal!”.

O primeiro dia da quinta edição do Rock in Rio – Lisboa termina com um espectáculo pirotécnico admirável. Não foi o frio, a crise nem a repetição de bandas que fez com que a afluência à Cidade do Rock diminuísse. Mais de 40 mil pessoas estiveram no Parque da Bela Vista neste primeiro dia.

 

Texto: Raquel Segadães
Fotografia: Miguel Oliveira 

Comments
One Response to “Rock In Rio – 1º Dia”
  1. bags diz:

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