Festival Marés Vivas – 4º Dia

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Foi neste último dia de Marés Vivas que tivemos o deleite de ouvir as canções de amor de João Só e os Abandonados. Vou a Marte foi um momento bonito do concerto, assim como a Sorte Grande em que uma fã passou do público para o palco para interpretar o tema com João. Não sendo caloiro nestas andanças, João mostrou uma fácil cumplicidade com o público assim como um grande à vontade. Este concerto teve ainda a peculiaridade, para felicidade dos fãs que não puderam estar presentes, de estar a ser transmitido em direto no Facebook. Vamos a jogo e Cresce e desaparece ficaram guardados para o final.

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No encerramento do palco moche tivemos a honra de ser encantados por Luísa Sobral. Entre árvores que compunham o cenário do palco, munida com uma harpa, surgia Luísa a interpretar um dos seus maiores sucessos, Not There Yet. Desde o primeiro momento começamos a sentir-nos envolvidos por toda a mística da artista, que com o seu timbre particular atraia uma multidão para o palco, quer de fãs, quer de curiosos. Houve tempo para elogios a Salsa d’Os Azeitonas que Luísa dizia parecer “contratado pelo Marés Vivas”, por já ter tocado em três concertos neste festival. De seguida cantou uma canção em espanhol, acompanhada por um carron e em que Luísa nos fez lembrar Louis Armstrongpelos seu dote de reproduzir o som de uma trompete com a voz.

Depois de se ouvir Saiu para a Rua, de dois dos seus letristas preferidos, foi altura de homenagear Britney Spears, com uma versão acompanhada meramente por um contrabaixo do seu megahit Toxic, que teve direito a cabelos a esvoaçar e tudo. O público já estava rendido e aplaudia entre gargalhadas. Tudo parecia pensado ao pormenor, e Luísa delicadamente ia explicando ao público a essência da sua música. Depois de nos enfeitiçar com Down let me down e de pôr o público a cantar a 3 vozes, a título de piada, a artista pediu aos fotógrafos para não lhe tirarem uma foto por baixo da saia, como aconteceu recentemente com Lana del Rey. O obrigatório Xico teve o acompanhamento da plateia como seria de esperar, e quase para o final estava reservada mais uma surpresa, desta vez uma versão de Não és homem para mim de Romana. Why Should I? foi o último tema deste mágico concerto que nesta altura já enchia todo o palco secundário.

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Às 21 horas em ponto, Mónica Ferraz, ex-vocalista dos Mesa, revela a sua potência vocal a quem estava na plateia. Declarou que era um prazer estar a tocar na sua cidade, e iniciou a apresentação do seu primeiro disco a solo. Start Stop e Love Burns foram alguns dos temas que revelaram a maturidade do trabalho desta artista Portuguesa. Golden days e Go go go foram os temas mais aplaudidos, provando que este novo trabalho da artista está a ter uma positiva aprovação do público com músicas pop/rock fáceis de ficar no ouvido e fáceis de gostar. Em 50 minutos Mónica provou o porquê de merecer este lugar no palco principal.

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Pontualmente os suecos The Hives inauguraram o alinhamento com o efusivo Come on. Com um pano de fundo algo intrigante e pavoroso, esta banda de punk de garagem formada em 1994, conquistou a atenção do público no decorrer do concerto, não só pelas palavras semi-compreendidas de Randy Fitzsimmons, mas também pela boa recepção dos seus aguardados temas como Try it again, Walk idiot walk e Main ofender (“This is a special one”). Take Back the Toys foi tema do novo albúm Lex Hives lançado este ano. I told you so pôde contar com um baixista improvisado, que estava na plateia com um cartaz a oferecer-se para o cargo. E depois de perguntar num quase correcto português “Vamos embora?” mais uma vez incendiou com Go right ahead. Depois de uma piada sobre quem voltaria a ver os The Hives ao vivo, terminou com Tick Tick Boom que fez explodir por completo a plateia. Continuando na vertente da comédia, voltou a fazer nova piada no decorrer deste último tema, dizendo à plateia que se não se sentasse a Anastacia não viria. Com bom humor e boa música terminaram assim este concerto, sendo de ressaltar os roadies no palco vestidos de ninja.

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A norte-americana Anastacia foi quase a última a pisar o palco da Praia do Cabedelo neste último dia de festival e apesar de recebida por bastantes fãs efusivos, a dúvida relativamente à sua performance permanecia no ar. Estreou-se com Why’d You Lie to Me e prosseguiu com Sick Tired e embora muito reservada inicialmente, no decorrer do concerto mostrou-se bastante desinibida e interativa. Seguidamente, e depois de diversas declarações, como “I’m falling in love a lot, here in Porto”, contemplou-nos com What Can We Do e nem mesmo os problemas evidenciados pelo seu microfone a abalaram, Not That Kind foi a música que se sucedeu. Embora pouco exuberante relativamente ao seu vestuário (o que desiludiu parte do público), o seu soul e o seu potencial vocal continuaram a encantar a plateia, a prova disso foi a música Empire State of Mind de Jay-Z. Guardou para o fim os seus maiores êxitos, Paid My Dues, One Day in Your Life e Left Outside Alone, dados como sucesso garantido e como não poderia faltar no encore (um pouco forçado) foi acompanhada pelo público em I’m Outta Love.

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Como não poderia deixar de ser, o último concerto ficou ao cabo do talento de Pedro Abrunhosa, não fosse ele o Padrinho do Festival. Com um rock pujante começou com Eu sou o poder e um emocionado “Boa noite Portugal!”. Entre a espada e a parede, Não posso mais e Não desistas de mim (“declarada aos que amam”) ouviram-se no desenrolar do concerto e foi com Pontes entre nós que Pedro revelou a ideologia de fraternidade da sua música, declarando o concerto “um concerto aberto”. Com o funk a vir ao de cima continuava com Socorro. Seguiu-se Sex Machine de James Brown que conseguiu pôr o festival a saltar. Temas como Se eu fosse um dia o teu olhar mergulharam-nos num ambiente mais intimista e com o rock em Talvez Foder, Pedro aproveitou para discursar contra a corrupção política. Tinha de vir Pedro Abrunhosa para se verem isqueiros acessos no Marés Vivas, foi em Ilumina-me que o artista declarou que “O espetáculo não é aqui em cima, é aí em baixo” falando para a plateia. Às 3:23 horas ainda se pedia encore e com Dá-me tudo o que tens para me dar, Lua luar, Vamos fazer o que ainda não foi feito e obviamente Tudo o que eu te dou assim se acedeu ao pedido da vasta audiência que permanecia embalada no recinto. Fazemos nossas as palavras finais de Pedro Abrunhosa dizendo “Parabéns Marés Vivas, um festival diferente, emblemático…”.

Texto: Margarida Cardoso
Fotografia: Miguel Oliveira

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