Festival Marés Vivas – 3º Dia

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Entre o Soul e o R&B abriu o terceiro dia de Festival Marés Vivas em Vila Nova de Gaia. Os Lisboetas HMB foram o primeiro nome a actuar no Random Stage. Héber Marques tentava captar a atenção do pouco público. Fazendo dançar os presentes com o seus ritmos os HMB apresentaram alguns dos seus originais dando a conhecer o seu trabalho.

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A poucos minutos das 20h finalmente surgem em palco os aguardados Virgem Suta. Jorge Benvinda (vocalista) de copo de vinho tinto na mão entra em palco para brindar com o público àquilo que viria a ser um grande concerto. Não faltaram os seus revirares de olhos ao som de Se Deus quiser e Beija-me na Boca e quando se ouviu Cruza os dedos já o público estava rendido. Seguiu-se Ressaca, Não sou deste lugar e de seguida um dos seus maiores êxitos Dança de Balcão. A cumplicidade com o público levou até que os Virgem Suta tivesses servido vinho a alguns elementos da plateia para brindar ao som do seu Pop/Rock. Numa relação intima com a plateia esta banda natural de Beja foi entusiasmando o palco Moche que estava a abarrotar. A eleição de melhor momento fica claro para Linhas Cruzadas, que já se torna familiar do público. Com uma alegria que deixa transparecer o trabalho que fazem por gosto, houve ainda tributo a Carlos Paião como o clássico Playback. Após uns joggings pelo palco e muitas palmas, Menina Princesa compôs o encore e depois de chamar 30 pessoas do público para o palco que rapidamente se transformou num caos, os Virgem Suta despediram-se deixando o público com os corações aquecidos com Tomo conta desta tua casa.

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Nem houve tempo para respirar, mal os Virgem Suta terminaram, fizeram-se sentir os primeiros acordes no palco principal. Quem não quis perder pitada do espetáculo de Ebony Bones teve de correr. Foi com W.A.R.R.I.O.R que se inaugurou o alinhamento. Com mais vento que nos dias anteriores e com menos de público que o habitual neste horário o concerto foi-se desenrolando. Com um look marcadamente invulgar, em 45min de concerto Ebony teve tempo para mudar de visual três vezes. Temas como We Know All About You, Story of St. Ockwell e  In G.O.D. We Trust anteciparam uma cover não tão bem sucedida de Enjoy the Silence dos Depeche Mode. Com elementos da banda com máscaras de cavalos e com todo um aparato a envolver o espetáculo esta senhora da música mostrou o que é ser uma artista do British Underground. Não foi preciso mais tempo de concerto para agradar não só aos fãs mas também àqueles que ficaram surpreendidos e rendidos à vida que esta artista dá à sua música.

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No intervalo entre os concertos, as atenções eram viradas para o stand da Rádio Comercial, onde estava Pedro Ribeiro, Vanda Miranda, Nuno Markl, Vasco Palmeirim e Ricardo Araújo Pereira que não deixavam arredar uma multidão de fãs. Com uma montagem de palco anormalmente demorada, o público aproveitava para cantar We are Young dos Fun que passava nos ecrãs no anúncio da Chevrolet. Às 22:12h Os Azeitonas actuam pela terceira vez no Marés Vivas, mas desta vez no palco principal. Com introdução e alinhamento que pareciam ser os habituais, começaram com Salão América que permitiu o solo de guitarra de Miguel Araújo que recentemente lançou o seu álbum a solo. Mulheres nuas fez algumas meninas tirarem os soutiens a pedido de Marlon. Entre piadas sobre o penteado de Ebony Bones e boa música portuguesa os Azeitonas puseram o Cabedelo a saltar. De facto os seus fãs já não cabem num palco secundário. Seguiu-se Nena que só com o piano perfeitamente afinada interpretou Os desenhos animados, deixando o final para a voz de Rui Veloso. Este convidado especial guiou Tu eras aquela, em que o público é que parecia o convidado. Terminaram com uma reinvenção de Anda comigo ver os aviões, que naquela altura certamente sobrevoavam o recinto. Terminou assim 1 hora de concerto que com o alinhamento habitual deixou o público satisfeito, podendo apenas ter deixado os fãs mais antigos sedentos de algo um bocadinho diferente.

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Já com uns largos minutos de atraso, eis que Billy Idol entre em palco. Fazendo duvidar dos seus 57 anos de idade, este Senhor do Rock veio pronto para fazer tremer o Festival. Numa forma física invejável, começou com um “Are you ready?” que fazia prever o tema de abertura Ready Steady Go. Em Postcards from the Past o britânico fazendo o que se pode chamar de qualquer coisa genial com a guitarra deixou a multidão em delírio. Num tom mais pacífico Sweet sixteen e o eterno Eyes without a face. Notava-se um crescendo de intensidade no decorrer do concerto. Para o fim, já em tronco nú, Billy reservou Rebel Yell fazendo com que os aplausos da plateia perdurassem mesmo após a sua saída de palco. O entusiasmo era tanto, que o encore foi obrigatório. William Albert Michael Broad regressou assim para dizer “Thank you Portugal for making my life so great” e presentear a plateia com White Wedding Play Video e Mony Mony. Terminou com nova apresentação da banda e com mais uma declaração de amor à cidade do Porto.

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Apesar do avançar da hora, quem sabia o que ai vinha não arredava pé. Os Gogol Bordello com um cenário de palco que revelava o seu estilo Gypsy punk aos mais desatentos conseguiu transformar a praia do Cabedelo numa danceteria gigante. Temas como My Companjera, Start Wearing Purple e Immigrant Punk foram momentos altos da noite. De gravata, que só fez sentido, porque era atada na testa, Eugene Hütz foi o protagonista deste teatro musical que parecia de outra dimensão e que contagiava todo o festival.  Foi com Harem in Tuscany que com uma garra incansável que este fantástico concerto terminou deixando-nos sem palavras para mais a ouvir Sound of Freedom enquanto recuperávamos o fólego. Para os que quiseram continuar a dançar a noite continuou no palco Moche como é habitual. Mais uma vez o Marés Vivas conseguiu-nos surpreender com um cartaz que é capaz de agradar a várias gerações e vários estados de espirito.

Texto: Margarida Cardoso
Fotografia: Miguel Oliveira

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