Festival Marés Vivas – 1º Dia

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Pelas 19 horas de ontem tudo estava pronto para a abertura da 10ª edição do Festival Marés Vivas tmn que é considerado “o mais barato do circuito europeu”. O clima propício na praia do Cabedelo ajustava-se à boa disposição dos festivaleiros que iam chegando.

Este ano com a originalidade do “Random Stage”, sendo este o palco secundário onde os concertos não têm data nem hora marcada, apenas são conhecidos os nomes das bandas que irão atuar.

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Com uma pontualidade que há quem diga que é uma imagem de marca deste festival, coube aos The Lazy Faithful, banda nascida na cidade do Porto, dar as boas vindas ao público que se começava a avizinhar do Random Stage ao soar dos primeiros acordes. Ostentando uma atitude irreverente, tanto na sonoridade do seu Rock como no figurino, Tommy Hogg (vocalista) atuou em roupão de banho e teve ainda tempo para mostrar que tem mãos para a guitarra. Começou bem este fim de tarde com um “Quero ver tudo aqui mais para a frente!” captando a adesão do público para a sua jovem banda. Um curto alinhamento deu tempo para apresentar o seu reportório, entre Say to youJumpin’ Over Walls, Love In The Greenhouse, houve ainda tempo para cantar em Português com a cover de Toma um comprimido de António Variações. Aqui até já o público trauteava.

Com o moche a dar vida ao concerto, com bom Rock Português e “muito power”, comentava-se no público, se inaugurou este fim de tarde.

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Após um breve intervalo que só deu tempo para um refresco e esticar um pouco as pernas por ali perto, a Indiana Blues Band, conduzida por André Indiana, continuou com o espetáculo no palco secundário com um excelente cover de Love me two times dos míticos The Doors, seguiu-se An open book, antecipado por um apelo à honestidade. De guitarra nas pernas André Indiana comunicou “agora vamos acalmar substancialmente” e continuava a apresentar Bloodline. Seguiram-se You play with my Money, She’s living to stay e houve ainda tempo para homenagear  Nina Simone com Ain’t got no. Depois desta injeção de Blues André Indiana despediu-se do público permanecendo a sua banda em palco a tocar por alguns momentos. Após uma vasta multidão de aplausos, a banda deixa sair o encore para os “fans de blues hard core” com Mannish boy.

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Com mais de 20 mil pessoas de olhos atentos no palco principal começou-se a ouvir às 22 horas o solene Hino da Suécia. Entraram em palco os The Sounds,  com The no no song, Never Stop, Hit me, Painted By Numbers. Maja Ivarsson (vocalista) destacou-se não só pela sua simpatia e pelos constantes reconhecimentos ao público, mas também pelo seu look indie a concordar com a banda. A sua doce voz dá corpo a esta banda sueca formada em 1999. “Follow me, is that cool?’ interrogava Maja ao público, este aderia com todo o entusiasmo e apesar de algumas dificuldades técnicas de som, o concerto lá se desenrolou com o single Something to die for, do seu mais recente álbum, (momento alto do concerto), Ego e  Hurt you, famosa por ter sido usada num anúncio televisivo. Depois de afugentar o blusão de pele, Maja finalizou com Wish you were here e Living in america.

Uma perfeita abertura do palco principal deste aniversário do Marés Vivas seguramente aprovada pelo público que se mostrava entusiasta.

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Eis que às 23:35h o recinto do palco principal voltou a atestar. Entre acordes de guitarra e o som de uma pandeireta, pedindo à audiência para escoltar com palmas entraram os Wolfmother, já considerados pela Rolling Stone como umas das melhores bandas ao vivo. Sendo um dos principais cabeças de cartaz deste festival, esta banda australiana de Hard Rock não podia desiludir, e não o fez. De uma forma psicadélica Andrew Stockdale (vocalista) assim como a restante banda conseguiram captar a atenção até daqueles que se faziam mais rogados. Logo depois da primeira música Andrew tira o seu casaco e começa a aclamar pelo “Porto”. California Queen foi o que se seguiu no alinhamento, não deixando Elliott Hammond folgar um segundo no palco, dissipando a sua energia com a precursão, através das maracas, pandeireta e ainda a sua harmónica. As dificuldades técnicas de som continuavam pontualmente, mas não foi isso que impediu estes australianos de exibirem um magnânimo show de guitarra que deixou a plateia atónita.

Andrew mantinha a boa disposição apelidando os The Sounds de “sexy people from Sweden” e alegando que “We are not so good looking, but we make up in personality”, conseguindo assim extrair gargalhadas da plateia. Avançava com elogios aos bikinis Portugueses para inserir  Woman que lhes valeu um Grammy. Houve espaço para duelos vocais entre “sexy ladies” e “guys” antes de White Unicorn e uma cover muito bem recebida de Another Brick In The Wall dos Pink Floyd. O público adorou e os Wolfmother também pareceram ter gostado. Keep movingCosmic Egg (surpreendentemente introduzido por Toccata and Fugue in D minor de Bach ) e Colossal foram os temas seguintes.  O vocalista expressava “I feel like I’m in another dimension” e quando parecia que tinha terminado após 1:30h a banda surpreendeu com o êxito Joker and the Thief. Terminado assim este fantástico concerto com “Love you..Obrigado!” para o público.

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Por fim chegou a aguardada banda escocesa Franz Ferdinand que recentemente estiveram no Primavera Sound no parque da cidade do Porto. Com o plano de fundo montado (The Archduke) Alex Kapranos (vocalista), Bob Hardy, Nick McCarthy e Paul Thomson fizeram explodir uma vaga de aplausos na plateia às 01:27h. Do you want to e o badalado No you Girls aqueceram a audiência que pulava sincronamente ao som do seu rock alternativo. O alinhamento conteve, entre outras, Walk away, Better on holiday, Can’t Stop Feeling e finalmente o single Take me Out que não despertou o impacto pressentido. De braços no ar entoou-se Ulysses e This Fire que proporcionaram constantes uníssonos do público. O desmascarar do novo álbum surgiu com Right Thoughts. Antes da vénia da despedida houve tempo para show de precursão e o pedido encore não foi respondido.

 

Expirou assim mornamente o primeiro dia de concertos no Marés Vivas, para hoje prevê-se a conservação do bom tempo, uma maior audiência e notáveis concertos com Kaiser Chiefs, Garbage, The Cult e Gun.

Texto: Margarida Cardoso
Fotografia: Miguel Oliveira

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