Festival Marés Vivas – 2º Dia

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O segundo dia do Festival Marés Vivas arrancou ontem mais cedo na Praia do Cabedelo. Os The Eleanors, banda natural da Maia com um look indie em sincronia com o seu estilo de música foram a primeira surpresa do dia no Palco Moche. Cantando em Inglês, com uma menor audiência que no dia anterior, apresentaram temas do seu álbum Back to Lies and TV Shows como  Manchester Tonight, We Shock it Again e My Tongue que permitiram a esta banda promissora conquistar o público com facilidade. Miguel Rizzo frisou durante o concerto a relação da sua música com a cidade do Porto, revelando a influência que as experiências pessoais desta banda têm na sua música.

Foi um fim-de-tarde perfeito que introduziu uma soberba noite dedicada ao rock.

Contudo havia quem não estivesse curioso com o palco secundário e optasse por aguardar já junto ao placo principal para reservar lugar na dianteira dos cabeças de cartaz.

À semelhança dos anos anteriores, com o adiantar da hora, o recinto começou a encher, assim como as diversas filas de brindes que cresciam, obrigando-nos a fazer uma gincana no percurso entre um palco e outro.

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Após algumas afinações, continuando com bom rock Português eis que surge Slimmy. Com uma audiência mais composta Slimmy corroborou porque é que é considerado um artista irreverente. Com o seu típico look escuro e de calças justas, Paulo Fernandes (Slimmy) preconizava ”É o início da noite, vai ser bom!”. A sua interação com o público não ficou por ai, e “de volta onde a caminhada começou, há 4 anos” esta banda electrizou os presentes com a sua música. Out of control foi um bom momento da noite, assim como as “baladas” que se seguiram, Show Girls e Can’t Live Without You In This Town, em que Slimmy se deitou no palco a cantar enquanto o público sacudia os braços no ar. Ainda houve tempo para música nova com We Are All Made Of Glitter, que foi tocada ao vivo ontem pela segunda vez e ainda Glad I’m Lonely. Após este tema que deixou o público a vibrar Slimmy saiu do palco fazendo parecer que o concerto tinha terminado, mas não. Voltou e após oferecer a sua camisola ao público ainda cantou Set me on Fire e mais uma nova Freestyle Heart.

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Às 21 horas em ponto, ainda com uns rasgos de sol no horizonte é ao som dos Gun que se inicia a noite no palco principal. Mais uma banda escocesa que promete logo desde início presentear-nos com uma excelente re-invenção do rock ‘n’ rol.  Esta banda formada em 1987, que se separou após 10 anos, reformou-se em 2008. Atualmente com Dante Gizzi na voz mantiveram um registo constante durante o concerto que permitia ao público não arrefecer com o vento que se fazia sentir no Cabedelo. Steal Your Fire e Break the Silence (do novo álbum lançado este mês) foram temas bem recebidos. Mas o destaque ficou inquestionavelmente para tema que os torna mais famosos, a cover de Word Up, esta sim fez disparar aplausos no público e Dante Gizzi conseguiu pôr todo o público a soletrar W-O-R-D! Depois da foto da praxe à plateia, os Gun revelaram que apesar da sua paragem de 14 anos, ainda continuam em forma, e terminaram com Shame on you a jeito de encore.

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Continuando com o rock surgiram em palco os The Cult. Lil’ Devil  foi o aquecimento após uma introdução sinistra que deixava o público curioso. O público era heterogéneo, constituído essencialmente por famílias em que os pais dançavam ao som dos hits da sua altura, acompanhados pelos filhos que também os conhecem por se terem tornados clássicos nos dias de hoje. Ian Astbury (vocalista) com o seu look intrigante de gola de pelo e óculos escuros, fazia desfilar temas como Honey From a Knife, Lucifer, The Phoenix (que teve direito a show de bateria), Wild Flower entre outras. Depois de Ian falar de Vasco da Gama o momento alto da noite surgiu, pertencendo com era esperado ao mítico e obrigatório She Sells Sanctuary, que facilmente recebeu as aclamações do público. Após uns trauteares acapela, esta banda hard rock despede-se com Love Removal Machine. Mais uma vez os The Cult não decepcionaram e proporcionaram perfeitos momentos de nostalgia aos fãs.

Durante o intervalo houve tempo para ouvir em replay o tema da radio comercial sobre o Marés Vivas. Além disso, bem ao estilo americano, uma câmara tentava captar na plateia o melhor beijo entre os casais presentes.

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Com o recinto quase cheio a noite prossegui com os Garbage. Banda formanda nos Estados Unidos com músicos americanos mas com uma voz escocesa à cabeceira. Sons electrónicos atraiam de volta ao palco a multidão que pausava para um snack. Shirley Manson, decorada com um acessório de cabelo intrigante, interpretou Automatic Systematic Habit do novo álbum Not Your Kind of People. O Rock manteve-se na berra da noite e I Think I’m Paranoid teve um adesão do público digna de registo. Logo após Queer, Shirley revelou a sua irritação por confrontos na plateia, pedindo ao público para os evitar, usando um tom e expressões intimidadoras. A vocalista revelou ainda adorar a cidade do Porto e ter encontrado nesta semelhança com São Francisco e Goa. O show continuou com Push It, Why Do You Love Me e Blood for Poppies. You Look So Fine começou a ser interpretado acapela e entre gargalhadas contagiantes da vocalista. Não pôde faltar o clássico Only Happy When It Rains que permitiu à banda voltar a conquistar a multidão que começava a reflectir o cansaço da longa noite. Fica registado o temperamento de Shirley assim como as influências grunge e electrónicas desta banda de rock alternativo.

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Finalmente chegou a hora dos Kaiser Chiefs, um dos principais nomes do cartaz deste ano subir ao palco. O alinhamento foi o esperado e o desejado, com Never Miss a Beat, Everything Is Average Nowadays, Kinda Girl You Are, On the Run, Good Days Bad Days, Put Me on the Cover of Your Magazine, a meio gás. Após agradecimentos ao público foi com Na Na Na Na Naa  e Everyday I Love You Less and Less que os Kaiser Chiefs mostraram como é que se evolui de uma simples banda de garagem (Parva) para uma bandas de indie rock / britpop desta dimensão. Até os mais tímidos que se encontravam longe do placo, longe da multidão, longe da poeira que se levantava lá à frente, se viam a dançar. A relação de cumplicidade entre a banda e o público era cada vez mais evidente. Foi para I Predict a Riot que Ricky Wilson reservou a acrobacia da noite, tendo interpretado parte da música a uns metros de altura agarrado à estrutura lateral do palco. De seguida foi tempo de se ouvir Little Shocks o primeiro single do novo álbum. “We are Kaiser Chiefs!” gritava Ricky freneticamente, mesmo antes de se atirar para o single Ruby, que como seria de esperar detonou a plateia e fez ouvir a voz do público. O enérgico Ricky de bandeira portuguesa no microfone,  fez o encore com Oh My God e assim os Kaiser Chiefs se despediram do Marés Vivas, e pela frequência com que têm visitado Portugal (segunda vez este ano) provavelmente vamos ter de esperar algum tempo até termos  oportunidade de os voltar a ouvir.

Encerrado assim o cartaz do segundo dia de festival, podemos fazer um balanço positivo deste dia e confirmar de facto uma maior afluência ao recinto.

Texto: Margarida Cardoso
Fotografia: Miguel Oliveira 

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