Entrevista aos The Last Internationale

MO Blind Charge + The Last Internationale 42 Entrevista aos The Last Internationale

Aquando da passagem da tour por portugal, apanhamos os The Last Internationale numa rua do Porto após o concerto no Armazém do Chá. Vieram para ficar por terras Lusas, no verão vão andar novamente por cá, com álbum novo na mala.
Discutiu-se politica, música e mais algumas coisas que não se passou para o papel.

Antes do armazém do chá tocaram na Casa do Xiné, como foi o concerto?
Delila: O sitio era muito bom, tal como a energia do publico que lá assistia. No entanto era um sitio muito fora de mão, durante algum andamos perdidos, não conseguíamos encontra-lo, mas era um lugar muito bom
Edgey: Podia ficar lá a viver durante um ano!

Acabaram de lançar o vosso ep, com tem sido o feed do publico até agora?
E:
Parecem que estão a gostar muito mais deste, do que qualquer outro trabalho que tenhamos lançado no passado, a minha opinião sobre isso e penso que estamos todos de acordo, não é que os outros tenham sido fracos. Mas este foi gravado na integra em analógico, eu adoro gravações em analógico, acho que todo o rock devia ser gravado desta forma.

A escolha do porto para gravarem o ep esteve ligado com o gravarem em sistema analógico?
E:
Não conseguíamos encontrar em lado nenhum no mundo um estúdio assim, qualquer estúdio onde fossemos não era totalmente analógico, havia sempre alguma parte do processo que introduzia o sistema digital.
Sentamo-nos com o João,e a primeira coisa que ele nos disse foi “como se sentem gravar tudo de forma analógica, gravar, misturar a cassete? Nada de digital.” Levamos anos para ouvir algo assim.

Planos para depois desta tour, já há algo em mente?
D:
Ainda temos umas musicas para finalizar até ao final da semana, vamos continuar a grava-las nos estúdios Sá da Bandeira

Tom Morello elogiou a vossa banda, estavam a espera de tal elogio?
Espetacular, não estávamos nada à espera! Ele é uma das nossas grandes influências, está no top ten no que concerne a influencias. Eu cresci a ouvir o Tom e claro os RATM, têm mensagens politicas, mas quando era criança não queria saber disso!!  Era o verdadeiro rock que se fazia na altura.
D: Quando era jovem tinha t-shirts dos RATM, e tive uma professora que me disse que eu não sabia quem eles eram, envolvi-me numa discussão com ela!

Devido à crise que atravessamos, acham que o “Do it yourself”, faz mais sentido agora?
D:
 Acho que a atmosfera nas bandas independentes é espetacular actualmente, e devido à internet as pessoas não vão procurar às grandes editores, chega-se mais facilmente ao publico através da net.
E: (fico contente por referires esta pergunta) o DIY funciona mais como uma necessidade, as grandes editoras nunca vão prever/ouvir o grande acontecimento, se formos a ver a história elas são as últimas a apostar em bandas.  As pessoas que dirigem estas editoras, não percebem nada de talento, não sabem nada de música, não têm a pu** da ideia o que é música, apostam em lady gaga’s ou outras imitações… nem sei o que é grande agora.
Acredito que 99,99% das bandas se tiverem uma proposta de uma grande editora, vão aceita-la, porque o DIY significa lutar, significa fazer o próprio site, marcar concertos, carregar material…  penso que o DIY tornou-se algo “anti” imperialista, e ao mesmo tempo numa cultura revolucionária.
Mas chega a um ponto que já não é viável, quando uma banda se torna “grande”, já não se tem a capacidade para fazer tudo sozinho, é preciso alguém para o fazer por nós, não gosto de ter o telemóvel  a tocar a cada minuto que passa!!!

Sendo vocês norte americanos, como vêm a eleição de B. Obama?
D:
Eu não votei no Obama, votei nos verdes, mas sabia que não iam ganhar a eleição…
Vemos desde o inicio que ele realmente é, constantemente um “flip-flop” de opiniões, é sabido que ele não controla nada, fez algumas mudanças como o sistema de saúde.
E: Como é que o povo português vê Obama, tenho imensa em curiosidade em saber?
(FS) Pessoalmente vejo-o como uma grande pessoa, vê-se claramente que ele realmente quer mudar alguma coisa no país, está condicionado por algo que não vemos/sabemos. No entanto deu-vos o sistema de saúde, para mim isso já é algo enorme para um país que dependia de seguros para viver/sobreviver.
E: Ok, vou dar a minha opinião! Ele está no segundo mandato, se formos a julgar pelos últimos quatro anos, podemos não gostar das politicas dele mas até simpatizamos com ele, por ser o primeiro negro presidente. Eu julgo a presidência de Obama em duas partes, politica domestica e estrangeira, não havendo qualquer tipo de correlação entre as duas, por serem completamente distintas (na minha opinião).
No que toca a sua politica domestica posso acordar que nem tudo seja assim tão cinzento/preto, mas em relação à estrangeira, é atroz(!! ), posso afirmar que pode ser ainda pior que Nixon, Bush e em algumas partes Reagan.  Um exemplo, os drones, no Paquistão em poucas semanas matou mais pessoas do que Bush em dois mandatos, bombardeou funerais, crianças, quem faz isto não merece a minha simpatia e mostra quem realmente ele é!
A sua política estrangeira é imperialista, atroz, nojenta e não serve de nenhum modo ideais humanitários, e como outro qualquer presidente americano que não o foi, Obama devia ser julgado por crimes de guerra.

Para finalizar, o porquê de “Boots and Blues”?
E:
“Boots and Blues” é a nossa cena, é como nós nos definimos, somos essencialmente músicos de Blues, porque qualquer coisa que toquem, seja rock, pop ou o que lhe quiserem chamar, não podem toca-la sem que saibam o Blues. É um erro do público em geral pensarem que o Blues é o mais fácil de tocar, costuma saltar essa fase e vão logo para o rock, etc… (Ouvi um dia destes o Bob Dylan dizer que, o Rock é para adolescentes que não conseguem sexo)  Não vão tocar Rock ‘n rol bem, a não ser que estejam enraizados no Blues, domina-lo. Blues é algo difícil de sentir,  não é qualquer um que o sente. “Boots and Blues” é a nossa raiz, aliás o Blues é a nossa raiz, “boots” é tudo o resto.

Entrevista: Fausto Ferreira

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