Entrevista aos The Crawlers

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Já foram três e agora são quarto. Estão a levar isto por níveis e deixam bem claro que o que os move é puramente a vontade de fazer a sua música. Mais do que uma banda são uma família. Depois do concerto de apresentação do seu EP de estreia, no Maus Hábitos, e ainda com o suor no rosto e no corpo, os The Crawlers pintaram o seu retrato familiar. Falaram de valores, contaram-nos histórias felizes e outras nem tanto. Mostraram acima de tudo que pretendem ser fiéis a si próprios.

E o EP? – perguntam vocês. Esgotou nessa mesma noite.

FRONTSTAGE: Vocês gostavam de ser famosos?

THE CRAWLERS: Não. Adorávamos viver só com a música. Não fazer mais nada. A música é a coisa que mais nos interessa. Mas não achamos piada nenhuma, a ir na rua e toda a gente te conhecer. Uma coisa é ser reconhecido e outra coisa é ser famoso. Nós gostávamos de ser reconhecidos mas não famosos.

FS: Então a única desvantagem da fama é a falta de privacidade?

TC: E a credibilidade. Há pessoal que se torna famoso e perde totalmente a credibilidade. Nós não andamos aqui para ganhar dinheiro com isto, provavelmente não dá. Tocamos por gostarmos de estar os quatro juntos, mesmo porque estamos entre amigos. Se der, fixe, se não der ao menos fazemos aquilo que gostamos.  Mais do que uma banda é uma família.

FS: Já agora aproveito para vos perguntar outra coisa. Estão agora a lançar o vosso EP e isso traz-me uma grande dúvida: porque raios é um EP e não um álbum?

TC: Há uma boa resposta para isso: não há dinheiro. Senão púnhamos já aí uma discografia de 50 músicas…

FS: Para uma banda que começou há pouco tempo têm muito material…

TC: Puramente por uma questão financeira. Também achámos melhor começar por um EP com menos músicas porque, e isto pode parecer um bocado standard, mas nós gostamos de levar isto por níveis. Mandar um primeiro álbum, se calhar não teria o impacto que nós queríamos como nosso primeiro álbum e por isso começamos com um EP e vemos como isto corre… pelos vistos neste concerto o pessoal gostou bastante.

FS: Quem são os vosso fãs?

TC: Basicamente é o nosso pessoal. Junta-se o nosso grupo e às vezes até fazemos vaquinhas para pagar as entradas. O que interessa é ter ali o pessoal. Também é bom ter pessoas desconhecidas, mas só tivemos uma experiência dessas: fomos os quatro para um concurso, só os quatro sem ninguém, e o concurso era por votos. Conseguimos dois votos (risos), ou seja, pessoal que estava ali para votar nos amigos… e acaba por votar em nós. Só um voto já era a vitória. Outra situação interessante aconteceu depois dos últimos concertos. Fomos marcados no Facebook por pessoas desconhecidas que disseram: “Hey não foste e perdeste grande espetáculo! Eles estão muito melhores!” Ou seja, já estiveram em concertos anteriores e nós nem sabemos quem são. Isso para nós é que é a verdadeira fama. O pessoal indicar a outros que aquele som é fixe. Também estamos a apostar nisso, e se agora estamos a vender os EPs, temos também planos, para daqui a uns tempos, lançar um álbum gratuito, mesmo para espalhar a palavra.

FS: E em termos de espetáculos? Qual foi o vosso melhor e o pior espetáculo?

TC: (risos) Vamos nós para a terrinha, para o grande festival de rock… (Couto interrompe-o) Atenção, alguns membros têm opiniões diferentes. Porque este para mim não foi o pior. Continuando… Vamos nós para a terrinha, chegamos lá e era uma festa só com pessoas idosas, rancho e coisas assim. Um homem vai apresentar a banda e diz: “E agora o conjunto vai trabalhar uma hora!” (risos) E nós ficamos assim a olhar para aquilo… a sério?!?!? O vocalista, nem era vocalista, era o solista! Logo por aí…

FS: Mas então qual foi o outro concerto ainda pior do que esse?!?

TC: O pior concerto não foi esse, porque não era um concerto que me importasse muito. Desde que cheguei lá que já não me preocupei, visto que não tinha ninguém importante a ver… O pior foi quando marcámos um concerto na altura em que estávamos a gravar o EP, para ir tocar a uma das melhores salas daqui do Porto, um espaço que já é uma referência. Conseguimos ir tocar ao Hard Club que para nós é das melhores, portanto este era outro dos sítios em que mais queríamos tocar. Primeiro o bilhete era caro e depois estava mal marcado, porque havia nesse mesmo dia e na mesma rua concertos gratuitos, de bandas muito mais importantes e com mais experiência que a nossa, portanto ninguém lá estava. Foi uma desilusão para nós. Fomos lá tocar com aquela vontade que todos os putos têm de estar naquele espaço tão restrito. Chegámos lá e estavam três amigos nossos e dois bêbados a cantar Smashing Pumpkins no intervalo de cada música.

FS: E que raio é que tu fazes quando te acontece uma coisa dessas?

TC: Os profissionais da cena, dizem “Ah e tal que eu já toquei para duas pessoas e dei o máximo”, e eu também já toquei para cinco velhotes e dei o máximo (risos). Mas uma coisa é tocar para cinco velhotes num sítio aleatório em que não estou perto de casa, outra, é tocar no Porto para dois bêbados e três amigos. É um bocado diferente. Tudo bem que não somos profissionais e não vivemos disto, mas mesmo que fossemos, acho um pouco complicado aguentar aquela carga de negativismo quando estamos com uma esperança muito grande que a sala vai estar cheia e que vai ser um concerto espetacular. E isso mandou-nos um bocado a baixo. Ficamos um bocado tristes com a situação.

FS: Isto na altura de gravação do EP…

TC: Já agora podemos falar porque é que o EP se chama “2”. A primeira gravação não correu como esperávamos, e por isso foi a segunda vez que estávamos a gravar o EP de estreia.  Aproveito para fazer uma pequena publicidade ao estúdio Cubo de Ensaio na Maia, onde gravámos o nosso EP.

FS: Isso de se chamar “2” e ser o primeiro é só para ser mind fuck…

TC: (risos) Mas não é para ser hipster! Mind fuck pode ser, mas hipster não!

FS: Falem-me acerca daquele teaser…

TC: Não está épico?!??! Diz lá se não está épico!

FS: De quem foi a ideia?

TC: Foi de todos. Já tínhamos visto algumas bandas que na gravação do EP faziam um teaser, e gostámos da ideia. É sempre aquela forma de chamar a atenção para o que vem aí. E já agora faço outra vez publicidade ao grande Luís Monteiro que foi o nosso cameraman, esteve sempre connosco e teve um trabalho enorme. Um grande abraço para ele. Não queríamos nada de HD e assim. Queríamos só o que somos e é o que lá está.

Texto: Íris Rocha
Fotografia: Miguel Oliveira

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